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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Curas



As curas são riscos simbólicos que tem ligação espiritual com o astral e também com o africanismo. Representa marcas simbólicas do destino para cada um. São siglas de caminhos de defesa para cada um de nós. Na África, as curas eram abertas no rosto. 

Era uma forma de proteção, de marca, e até mesmo de enfeite, era uma graduação que elas tinham. Obviamente, que se espalhando a nível Brasil, as marcas no rosto foram abolidas, mas os riscos continuam nas partes frontais do corpo, nas costas, no peito, simbolizando marcações espirituais, caminhos espirituais. 

Existe também as demarcações de Exú, demarcações de Bara, que são donos dessas curas que são os fechamentos de corpo. Existe também as demarcações de Oxum e elas são muito importantes para o iniciado. Faz parte da cultura africanista, a cura. 

É o que marca a iniciação, é o que faz que sejamos edificados espiritualmente para os orixás, para os Exus e também para os nossos co-irmãos de seita, de religião. A primeira coisa que se reconhece no Vodunce são pelas curas. 

Existem sinais, existem preparados que se coloca nas curas para elas poderem acentuar mais, como o oági misturado com atim. O correto é o atim ralado que é o efum branco, que é o efum de Oxalá misturado com oági para dar aquela cor azulada.

sábado, 28 de julho de 2012

Curas




O Ritual da Cura ou Fechamento de Corpo praticado em muitos candomblés na Sexta Feira da Paixão, que é uma data que os católicos dedicam à memória da crucificação de Jesus Cristo, tem origem nas mais antigas práticas bantos de calundus (formações religiosas anteriores à formação do candomblé modelado pelo Ketu na Bahia).


Algumas tradições Jeje Mahi, formações de candomblés Nagô Vodum, e Jeje Nagô principalmente, absorveram, em sua formação, do elemento banto presente no Recôncavo Baiano, tal tradição, umas casas como as de Candomblé de Angola realizam na Sexta Feira da Paixão e outras tradições segmentadas e formações não propriamente no dia santificado dos católicos, mas em etapa anterior ao sacrifício do bicho de 4 patas do rito de iniciação.


A “cura” é uma denominação para a “cruza ou cruz”, sinal recebido dos mercadores e traficantes de escravos para marcá-lo e distingui-lo dentro de um grande número de indivíduos, principalmente assim agiam os mercadores e traficantes espanhóis, portugueses e brasileiros (muitos referidos ao longo da História como sendo portugueses). Tal símbolo era marcado nos braços, peito, costas dos escravos de forma a marcá-lo com sendo já batizados e portanto que já haviam recebido o nome pelo qual deviam ser conhecidos doravante, só então depois eram conduzidos ao Brasil em navios negreiros. Tal flagelo atendia a grandes encomendas de escravos principalmente para o árduo trabalho da lavoura no Ciclo da Cana de Açúcar.


Em fongbè (Língua Fon) a cruz é denominada kluzú (pronunciando-se curuzú, que dá nome a uma localidade em Salvador, Bahia). Para o indivíduo banto de forma geral e principalmente no Brasil ficou entendida como “cura”. Também no Brasil muitos índios entenderam o símbolo da cruz como curuçá ou cruçá a partir dos Jesuítas, passando assim a denominá-la.


O segredo do Fechamento de Corpo no Ritual da Cura está no que lhe é passado depois da marcação do sinal e o que é rezado naquele momento, diferindo os ingredientes passados e ingeridos e as rezas de acordo com o candomblé.


Durante o primeiro processo de iniciação, que normalmente tem a duração de 21 dias, são diversos os rituais que têm lugar, e pelos quais os Yaôs têm que passar para poderem receber o seu Orixá de forma íntegra.


São tomados diversos cuidados para que o iniciado possa de facto, dali para a frente estar munido do conhecimento necessário, mas também de defesas necessárias, uma vez que vai nascer para a sua “nova vida”.


Não se trata só de munir e proteger o espírito das defesas necessárias, mas também o seu corpo físico, e nesse âmbito, são feitas as chamadas Kuras.


As Curas são incisões feitas no corpo do Iaô, que por um lado representam o símbolo de cada tribo, como o símbolo de cada Ilê (casa ou terreiro), mas têm o objectivo de fechar o corpo do Iaô, protegendo-o de todo o tipo de influência negativas.


Para isso são feitas as incisões (o que chamamos de abrir) e nessas incisões é colocado o Atim (pó) de defesa para aquele Iaô (iniciado). O Atim tem uma composição base de diversas plantas e substâncias, mas o Atim utilizado para as Kuras, contêm também as ervas do Orixá daquele Iaô em quem ele vai ser aplicado.


Sabemos que em algumas casas a Cura pode também ser tomada como infusão de ervas, porém na maioria das Casas de Candomblé, as Kuras, que são de origem Africana, são feitas como incisões ou cortes, e nesse cortes são colocados pequenos punhados de Atim, para que esse Atim penetre no corpo e o proteja de males exteriores enviados contra a pessoa.

Normalmente, as Kuras são feitas no peito, dos dois lados, nas costas, também dos dois lados e nos braços; evitando assim que de frente, de costas ou no manuseio de qualquer coisa algo negativo possa entrar no corpo do Iaô.


Além dessas, na feitura do Santo, abre-se também o Farim, que é uma Cura no centro do Ori, do Iaô, que por um lado impede também que algo de mal possa entrar na cabeça do Iaô, mas que facilita também a ligação com o seu Orixá. É comum também fazer-se na sola dos pés para evitar que o pisar de algo negativo possa interferir com o Iaô, havendo ainda, alguns zeladores que fazem uma Cura na língua dos seus Iaôs, para que os mesmos não comam comidas “trabalhadas”, e caso as comam, para que essas comidas não lhe façam mal.