domingo, 20 de maio de 2012

Ewá




Ewá é a divindade do rio Yewa. Na Bahia é cultuada somente em três casas antigas, devido à complexidade de seu ritual. As gerações mais novas não captaram conhecimentos necessários para a realização do seu ritual, daí se ver, constantemente, alguém dizer que fez uma obrigação para Ewá, quando na realidade o que foi feito é o que se faz normalmente para Oxum ou Oyá. O desconhecimento começa com as coisas mais simples como a roupa que veste, as armas e insígnias que segura e os cânticos e danças, isso quando não diz que Ewá é a mesma coisa que Oxum, Oyá e Yemoja. 

Ewá usa ofá que utiliza na guerra ou na caça. No seu ritual é imprescindível, dentre outras coisas, o iko (palha da costa), existe mesmo um ese Ifa do odu Otuamosun, que fala de Ewá saindo de uma floresta de iko. O seu grande ewo (coisa proibida) é a galinha.

Na África, o rio Yewá é a morada dessa deusa, mas sua orígem gera polêmicas. A quem diga que, a exemplo de Oxumaré, Nanã, Omulú e Iroko, Ewá era cultuada inicialmente entre os Mahi e foi assimilada pelos Iorubás e inserida em seu panteão. Havia um Orixá feminino oriundo das correntes do Daomé chamado Dan. A força desse Orixá estava concentrada em uma cobra que engolia a própria cauda, o que denota um sentido de perpétua continuidade da vida, pois o círculo nunca termina. Ewá seria a ressignificação de Dan ou uma de suas metades --A outra seria Oxumaré. Existem, porém, os que defendem que Ewá já pertencia à mitologia Nagô, sendo originária na cidde de Abeokutá. Estes, certamente, por desconhecer o panteão Jeje --No qual o Vodun Eowa, da família Danbirá, seria o correspondente da Ewá dos Nagô, --Confundem Ewá com uma qualidade de Yemonjá. Erram porque Ewá é um Orixá independente, mas sua orígem não se esclarece sequer entre os Jeje, pois em respeitados templos de Voduns afirma-se que Eowa é Nagô.

Ewa é simbolizada pelos raios brancos do sol, da neve, o sumo branco das folhas, o branco do arco-íris, os espermatozóides, a saliva e, ainda, o rio Yewa e a lagoa do mesmo nome. Orixá dos astros, guerreira valente, é também a Orixá das florestas. É uma Santa muito difícil de aparecer no Brasil, ela requer muita consciência. Não roda na cabeça de homem.

Ewá é uma bela virgem que entregou seu corpo jovem a Xangô, marido de Oyá, despertando a ira da rainha dos raios. Ewá refugiou-se nas matas inalcançáveis, sob a proteção de Oxóssi, e tornou-se guerreira valente e caçadora habilidosa. Conseguiu frustrar a vingança de Oyá, afastou de si a morte certa.

As virgens contam com a proteção de Ewá e, aliás, tudo que é inexplorado conta com a sua proteção: a mata virgem, as moças virgens, rios e lagos onde não se pode nadar ou navegar. A própria Ewá acreditam alguns, só rodaria na cabeça de mulheres virgens (o que não se pode comprovar), pois ela mesma seria uma virgem, a virgem da mata virgem dos lábios de mel.

Ewá domina a vidência, atributo que o deus de todos os oráculos, Orunmilá lhe concedeu.

Ewá foi uma cobra muito má e por isso foi mandada embora. Acabou encontrando abrigo entre os Iorubás, que a transformaram em uma cobra boa e bela, --A metade feminina de Oxumarê. Por esse motivo, Oxumarê e Ewá, em qualquer ocasião, dançam juntos.

Orixá das águas, deusa do rio Iewá. Santa guerreira, valente. Roupas vermelhas, usa espada e brajás de búzios com palha da costa. É dos orixás mais belo. Gosta de pato, também de pombos. (


Existem no entanto, os que defendem que Ewá já pertencia à "Mitologia Nagô", sendo originária na cidade de Abeokutá. Estes, certamente, por desconhecer o panteão Jeje - No qual o Vodun Ewá, seria o correspondente da Ewá dos Nagô - Confundem Ewá com uma qualidade de Yemanja. Erram porque Ewá é um Orixá independente, mas a sua origem não se esclarece sequer entre os Jejes, pois em respeitados templos de Voduns se afirma que Ewá é Nagô.


Qualidades do Orixá Ewá



Ewá Gebeuyin: A primeira a surgir no mundo. Veste vermelho maravilha e amarelo claro. Come com Omolu, Oyá e Oxum. Nas tempestades ela pode se transformar numa serpente azulada. Faz os banhos de ervas darem positivamente e traz a abundância de alimentos.


Ewá Gyran: É a deusa dos raios do sol. Controla os raios solares para que eles não destruam a terra. É a formação do arco-íris duplo que aparece em torno do sol. Metade é Ewá e a outra é Bessem. Platina, rubi, ouro e bronze vão em seu assentamento. Come com Omolu, Oxum e Oxossi.


Ewá Awò – A Senhora dos mistérios do jogo de búzios. Divindade pouco cultuada na Brasil, tem enredo com Oyá, Oxóssi e Ossaim.


Ewá Bamio- A Senhora das pedras preciosas, ligada a Ossaim.

Ewá Fagemy- A Senhora dos rios encantados, Ela é quem tem o poder de fazer surgir o arco íris e tem por obrigação sustentá-lo no céu. Ligada a Airá, Oxum e Oxalá.

Ewá Salamim- A Senhora guerreira, jovem, habitante das florestas, muito feminina e charmosa, ligada a Odé e Yemanjá.



Dia da semana: Sábado.

Cores: Vermelho Vivo, Coral e Rosa.

Símbolos: Ejô (cobra) e Espada, Ofá (lança ou arpão).

Elementos: Florestas, Céu Rosado, Astros e Estrelas, Água de Rios e Lagoas.

Domínios: Beleza, Vidência (sensibilidade, sexto sentido), Criatividade.

Saudação: Ri Ro Ewá!

sábado, 19 de maio de 2012

IEMANJÁ




Yemoja na Africa Iemanjá, cujo nome deriva de Yèyé omo ejá ("Mãe cujos filhos são peixes"), é o orixá dos Egbá, uma nação iorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemoja. As guerras entre nações iorubás levaram os Egbá a emigrar na direção oeste, para Abeokutá, no início do século XIX. Evidentemente, não lhes foi possível levar o rio, mas, em contrapartida, transportaram consigo os objetos sagrados e os suportes do àse da divindade O rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Yemanjá. Este rio Ògùn não deve, entretanto, ser confundido com Ogum, o deus do ferro e dos ferreiros, contrariamente à opinião de numerosos que escreveram sobre o assunto no fim do século passado.

O principal templo de Iemanjá está localizado em Ibará, um bairro de Abeokutá . Os fiéis desta divindade vão todos os anos buscar a água sagrada para lavar os axés, não no rio Ògùn, mas numa fonte de um dos seus afluentes, o rio Lakaxa. Essa água é recolhida em jarras, transportada numa procissão seguida por pessoas que carregam esculturas de madeira (ère) e um conjunto de tambores. O cortejo na volta vai saudar as pessoas importantes do bairro, começando por Olúbàrà, o rei de Ibará.

Yemanjá seria a filha de Olokun, Deus em Benin, ou deusa, em Ifé, do mar. Numa das histórias ela aparece casada pela primira vez com Orunmilá, o Senhor das Adivinhações, depois com Olofin, o Rei de Ifé. Com este último teve dez filhos, cujos nomes enigmáticos parecem corresponder a outros tantos Orixás.

Deusa das águas, mares e oceanos, esposa de Oxalá e mãe de todos os Orixás, é a manifestação da procriação, da restauração, das emoções e símbolo da fecundidade. Yemanjá: Ye-Omo-Yá_mãe de todos os peixes, que são seus filhos e estão contidos em suas estranhas de água. Está associada ao poder genitor, a interioridade, aos filhos contidos em si mesma. Seu adedé (leque) simboliza a cabeça mestra. Ela é muito bonita, vaidosa e dança com o obebé (espelhinho) e pulseiras. Em alguns mitos ela é considerada como sendo mulher de Oranyan, descendente de Odùdùwa, fundador místico de Oyo, de quem ela concebeu Sàngó (o Orixá patrono do trovão e ancestral divino da dinastia dos Alafins, reis de Oyo). Desta forma ela se vincula ao fogo, o fogo aparece como uma interação de água e ar. Na Nigéria ela é patrona da sociedade Geledes, sociedade feminina ligada ao culto das Yamis, as feiticeiras. No Rio de Janeiro, Santos e Porto Alegre, o culto a Yemanjá é muito intenso durante a última noite do ano, quando centenas de milhares de adeptos vão, cerca de meia noite, acender velas ao longo das praias e jogar flores e presente no mar.

No Novo Mundo Iemanjá é uma divindade muito popular. Principalmente no Brasil e em Cuba. Seu axé é assentado sobre pedras marinhas e conchas, guardadas numa porcelana azul.

O sábado é o dia da semana que lhe é consagrado, juntamente com outras divindades femininas. Seus adeptos usam colares de contas de vidro transparentes e vestem-se, de preferência, de azul-claro.

No Brasil, a deusa Iemanjá recebe diferentes nomes, dentre eles: Dandalunda, Inaé, Ísis, Janaína, Marabô, Maria, Mucunã, Princesa de Aiocá, Princesa do Mar, Rainha do Mar, Sereia do Mar, etc.

Iemanjá é a padroeira dos pescadores. É ela quem decide o destino de todos aqueles que entram no mar. Também é considerada como a “Afrodite brasileira”, a deusa do amor a quem recorrem os apaixonados em casos de desafetos amorosos.

No dia 2 de fevereiro acontece em Salvador, capital do Estado da Bahia, a maior festa popular dedicada a Iemanjá. Neste dia, milhares de pessoas trajadas de branco fazem uma procissão até ao templo de Iemanjá, localizado na praia do Rio Vermelho, onde deixam os presentes que vão encher os barcos que os levam para o mar.

No Rio de Janeiro as festas em honra de Iemanjá estão relacionadas com a passagem de ano.

Nos candomblés fiéis às origens africanas, o culto é prestado em locais fechados, nos atuais o culto é ao ar livre, prestado no mar e nas lagoas, sendo Iemanjá muitas vezes representada como sereia.

Os devotos levam para o mar vários presentes que são tidos como recusados quando não afundam ou quando são devolvidos à praia.

Dentre as diversas oferendas para a bela e vaidosa deusa, encontram-se flores, bijuterias, vidros de perfumes, sabonetes, espelhos e comidas. O ritual se repete em outras praias do Brasil.

As celebrações em homenagem a Iemanjá também acontecem em 15 de agosto, 8 de dezembro e 31 de dezembro.



                    QUALIDADES DE IEMANJÁ




Yemanjá AWOYÓ:

A primogênita. A mais velha das Iemanjás e dos mais ricos trajes; usa sete saias para guerrear e defender seus filhos. Ela vive distante no mar e repousa na lagoa; come carneiro e, quando sai a passeio, usa as jóias de Olokum e coroa-se com Oxumarê, o arco-íris.


Yemanjá AYABÁ; ACHABÁ; ASAGBA OU SOBÁ:

Nesta qualidade, Yemanjá é perigosíssima, sábia e muito voluntariosa. Usa no tornozelo uma corrente de prata. Seu olhar é irresistível e seu ar é altaneiro. Foi mulher de Orunmilá, e Ifá sempre acata sua palavra. Para ouvir seus fiéis costuma ficar de costas. Suas amarrações jamais podem ser desatadas. Numa briga com Exú, ela teve sua perna ferida, por isso suas iaôs  quase se arrastam em sala, numa primeira manifestação, depois mostram toda sua dança. Num xirê de Sobá, sempre entra um Oxalá. Para ouvir seus fiéis costuma ficar de costas. Suas amarrações jamais podem ser desatadas. É a senhora do algodão, todos os seus assentamentos são feitos  no algodão. Suas filhas costumam ser videntes ou tem o dom da intuição. E uma filha de Sobá, inevitavelmente, trará um Oxalá, por ser Ifá, descendente da linhagem de Oxalá. Ligada a Airá, Oxalufã e Orunmilá, fia algodão, carrega abebé e sua energia é a espuma branca do mar e rio, veste branco com prata.


Yemanjá AKUARA; KAYALA:

A das duas águas – Yemanjá na confluência de um rio onde se encontra-se com sua irmã Oxum. Mora na água doce, gosta de dançar, é alegre e muito correta; Não pratica malefícios. Cuida dos doentes, prepara remédios, amarra abicus. Usa rosa e azul


Yemanjá AKURÁ:

Vive nas espumas do mar, aparece vestida com lodo do mar e coberta de algas marinhas. Muito rica e pouco vaidosa. Adora carneiro. Come com Nanã. Veste branco aperolado.


Yemanjá ATAMARABA; ATARAMOGBA OU IYÁKU:

Vive na espuma da ressaca da maré.


Yemanjá AYIO: Muito velha. Veste sete anáguas para se proteger. Vive no mar e descansa nas lagoas. Come com Oxum e Nanã.


Yemanjá IYA MASEMALE OU IAMASSE; 

É a mãe de Xangô e quem cuidou de Oxumarê. Esposa de Oranian e muito festejada durante as festas consagradas a seu filho Xangô. As suas contas são branco leitosas, rajadas de vermelho e azul.


Yemanjá KONLÉ ou KONLA: 

Está na  espuma, está na ressaca da maré envolta em um manto de algas e limo; Por ser navegante vive no fundo dos oceanos, vive nas hélices dos barcos. O seu mito conta que ela afoga os pescadores. Veste azul anil e cristal. Não tolera mentiras, tem forte ligação com  Exú e Ogum , usa peitaça, braceletes e uma linda coroa. Também mostra aos filhos os tesouros do mar.


Yemanjá MALELEO OU MAIYELEWO; 

Mora nos bosques, em um pequeno poço ou manancial, que sua presença torna inesgotável. Nesse caminho, assemelha-se à sua irmã Oxum Ikolé, porque é feiticeira. Tem estreitas ligações com Ogum. Tímida e reservada, incomoda-se quando se toca o rosto de sua iaô e retira-se da festa. Veste verde claro e branco prateado. Esta Yemanjá vive no meio do oceano no lugar onde se encontram as sete correntes oceânicas.



Yemanjá ODO: 

Tem aproximação com Oxum, e vive na água doce sendo muito feminina e vaidosa.



Yemanjá OGUNTÉ: 

Considerada a nova guerreira, dona da espada, esposa de Ogum ferreiro (Alagbedé) e mãe de Ogum Akorô e Oxóssi. O seu nome significa aquela que contém Ogum. Vive perto das praias, no encontro das águas com as pedras. Veste branco; azul marinho, cristal, ou verde e branco. Está nos arrecifes da costa (porteira de Olokum). Encontra-se tanto no mar, no rio, na laguna, quanto na mata. Come com Ogum e também é esposa de Oxaguiã, Usa capacete, espada alfange (espada da morte), braceletes, tornozeleiras, peitaça e um abebê, que esconde nas costas. Quando guerreia leva pendentes na cintura o facão e as demais ferramentas de Ogum. Ela trabalha muito, é severa, rancorosa e violenta. É uma temível amazona. Senhora do canto mais profundo



Yemanjá OLOSSÁ OU BOSÁ:

Come com Oxum e Nanã. Veste verde-claro e suas contas são branco cristal. É a Yemanjá mais velha da terra de Egbado Oyo: Benéfica, muito feminina, saudada na cerimônia do Padê, veste de branco, rosa e azul claro.



Yemanjá SABA: 

Fiadeira de algodão, foi esposa de Orunmilá.


Yemanjá SESSU; SESU; YASESSU ou SUSURE: 

É a mensageira de Olokum, a da água turva, suja. Muito séria e trabalhadora.; vai no esgoto, nas latrinas e cloacas. Recebe suas oferendas na companhia dos mortos. É muito lenta em atender seus fiéis, pois conta meticulosamente as penas do pato a ela sacrificado, e caso se engane na conta, começa de novo e essa operação se prolonga indefinidamente. Ligada à gestação. Voluntariosa e respeitável, mensageira de Olokun, o deus do mar. Vive nas águas sujas do mar e é muito esquecida e lenta. Come com Obaluaiê e Ogum. Além do próprio assentamento, tem que se assentar Oxum e Obaluaiê. Veste branco, verde água e suas contas branco cristal. Tem ligação com Omulu. Não gosta de perfume, joga-se no chão e se põe a dormir, veste o azul apagado, pálido, também usa o verde cor das algas, não gosta de adornos.



Yemanjá YINAÉ OU MALELÉ: 

Aquela que os filhos sempre serão peixes. Também conhecida como Marabô, mora nas águas mais profundas. É a sereia, ligada à reprodução dos peixes; vem sempre a beira do mar apanhar as suas oferendas; está ligada a Oxalá e Exú.  É a Iemanjá que vira um tubarão e arrasta os infiéis para o fundo do mar, ligada a reprodução dos peixes , vem sempre a beira do mar apanhar suas oferendas. Também conhecida como a Iemanjá das conchas.






Yemanja ATARAMABA:  Nessa forma ela está no colo de seu pai Olokun



Iya AWOYÓ; IYEMOYO; YEMUO OU IEMOWO:

É uma das mais velhas, possui ligação com Oxalá, Oxumarê e Xangô. Veste branco perolado e cristal, responsável pelas marés.  o seu fundamento está no ori, representa a vida, pode curar doenças da cabeça. 


Xangô


Deus do raio, do trovão, da justiça e do fogo. 


Xangô é símbolo do rei Deus em Benin. É o deus do raio e do trovão. Contrariamente a Ogum (Deus dos Ferreiros) que emprega o fogo artificial, Xangô manipula o fogo em estado selvagem, o fogo que os homens não sabem utilizar. É um Orixá temido e respeitado, é viril e violento, porém justiceiro. Costuma se dizer que Xangô castiga os mentirosos, os ladrões e malfeitores. 

Seu símbolo principal é o machado de dois gumes e a balança, símbolo da justiça. Deus do fogo, que pune aos que lhe querem mal com febres e ervas que lhe são atribuídas. Joga sobre os inimigos sua bola de fogo através dos raios, chamadas edunara (pedra de raio que representa o corpo de Xangô, seu símbolo por excelência, pela mitologia do elemento procriado por um lado e que irmana Xangô a Exú por outro lado). 

Xangô é o antissimbolismo da morte, ele não fica aonde há mortes. Sua dança preferida é o Alujá, apresentado com toques diferentes, a dança do machado, a dança da guerra. Branda orgulhosamente o seu Oxé (uma de suas armas) e assim, na cadência, faz o gesto de que vai pegar as pedras de raio e lançá-las sobre a terra, demonstrando seu lado atrevido. Em certas festas traz sobre a cabeça uma gamela de madeira, que contém fogo que começa a engolir, revelando a origem de seu fundamento.


Tudo que se refere a estudos, a justiça, demandas judiciais, ao direito, contratos, pertencem a xangô. Ambicioso, chega ao poder destronando seu meio irmão Ajaká. Passa, então, a reinar com autoritarismo e tirania, não admitindo que sua atitudes fossem contestadas, o que possivelmente levou-o a cometer injustiças em suas decisões. Usa o poder do fogo como seu símbolo de respeito. Galante e sedutor, desperta a paixão da divindade Oyá(esposa de Ogum), uma de suas três esposas - as outras são Oxum e obá - .

Circulam a seu respeito, às vezes contradições, mas todos são unânimes em reconhecer seu caráter violento e fogoso. Mesmo se ignoradas em seus detalhes constatamos que sua magia profunda consiste em suprir a tempo os acontecimentos que se superpõem, ao invés de desenrolarem-se ao longo tempo linear e irreversível, ao longo de um tempo mensurável. Seu tempo não tem começo e nem fim, é um tempo reversível que supre sua duração.


Xangô pode estar morto no rio e ao mesmo tempo estar vivo diante do rei. Está morto... e morto estar vivo. Nele as oposições existem simultaneamente. Para o ser humano tal situação é ambígua e fora de lógica, dois termos contraditórios excluem um ao outro na sincronia. Na lógica de Xangô os dois coexistem, pois ela é caracterizada pela sincronia e pela inter polaridade. Mortal em seu corpo, imortal em sua essência, o OBA de BENIN é o único soberano de dupla natureza: humana e divina.


"Xangô, como todos os outros imolè (orixás e ebora), pode ser descrito sob dois aspectos: histórico e divino."


Como personagem histórico,




Xangô teria sido o terceiro Aláàfìn Òyó, "Rei de Oyó", filho de Oranian e Torosi, a filha de Elempê, rei dos tapás, aquele que havia firmado uma aliança com Oranian. Xangô cresceu no país de sua mãe, indo instalar-se, mais tarde, em Kòso (Kossô), onde os habitantes não o aceitaram por causa de seu caráter violento e imperioso; mas ele conseguiu, finalmente, impor-se pela força. Em seguida, acompanhado pelo seu povo, dirigiu-se para Oyó, onde estabeleceu um bairro que recebeu o nome de Kossô. 

Conservou, assim, seu título de Oba Kòso, que, com o passar do tempo, veio a fazer parte de seus oríkì. Dadá-Ajaká, filho mais velho de Oranian, irmão consanguíneo de Xangô, reinava então em Oyó. Dadá é o nome dado pelos iorubás às crianças cujos cabelos crescem em tufos que se frisam separadamente. "Ele amava as crianças, a beleza, e as artes; de caráter calmo e pacífico... e não tinha a energia que se exigia de um verdadeiro chefe dessa época". Xangô o destronou e Dadá-Ajaká exilou-se em Igboho, durante os sete anos de reinado de seu meio-irmão. Teve que se contentar, então, em usar uma coroa feita de búzios, chamada adé de baáyàni. Depois que Xangô deixou Oyó, Dadá-Ajaká voltou a reinar. Em contraste com a primeira vez, ele mostrou-se agora valente e guerreiro, voltou-se contra os parentes da família materna de Xangô, atacando os tapás.


KÁ WÒÓ, KÁ BIYÈ SÍLE : Podemos olhar vossa real majestade.


Xangô, no seu aspecto divino,




Permanece filho de Oranian, divinizado porém, tendo Yamase como mãe e três divindades como esposas: Oyá, Oxum e Obá. Xangô é viril e atrevido, violento e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Por esse motivo, a morte pelo raio é considerada infamante. Da mesma forma, uma casa atingida por um raio é uma casa marcada pela cólera de xangô. O proprietário deve pagar pesadas multas aos sacerdotes do orixá que vêm procurar nos escombros os èdùn àrá (pedra de raio) lançados por Xangô e profundamente enterrados no local onde o solo foi atingido. Esses èdùn àrá (na realidade, machado neolíticos) são colocados sobre um pilão de madeira esculpida (odó), consagrado a Xangô. Tais pedras são consideradas emanações de Xangô e contém o seu àse (axé), o seu poder. O sangue dos animais sacrificados é derramado, em parte, sobre suas pedras de raio para manter-lhes a força e o poder. O carneiro, cuja chifrada tem a rapidez do raio, é o animal cujo sacrifício mais lhe convém.


Fazendo-lhe também oferendas de amalá, iguaria preparada com farinha de inhame regada com um molho feito com quiabos. É, no entanto, formalmente proibido oferecer-lhe feijões brancos da espécie sèsé. Todas as pessoas que lhe são consagradas estão sujeitas à mesma proibição. Na Bahia, diz-se que exitem doze Xangôs: Dadá; Oba Afonjá; Obalubé; Ogodô; Oba Kossô; Jakutá; Aganju; Baru; Oranian; Airá Intilé; Airá Igbonam, e Airá Adjaosi. Reina uma certa confusão nessa lista, pois Dadá é irmão de Xangô; Oranian é seu pai, e Aganju, um de seus sucessores. Também na Bahia acredita-se que Ogodô é originário do território Tapá, e que segura dois "oxés" quando dança, sendo o seu èdùn àrá composto de dois gumes. Os Airá seriam Xangôs muito velhos, sempre vestidos de branco e usando contas azuis (segi) em lugar de corais vermelhos, como os outros Xangôs. Ao que parece, teriam vindo da região de Savê.

O que notamos nesse primeiro período yorubano, é que na realidade, o que se fala de Xangô, e a sua história nos Candomblés do Brasil, e de outros acima descritos, é incorreto, levando os fiéis a crer em fatos irreais.


Inicialmente, averiguamos que Odùduwà é um Orixá funfun masculino e único, é o pai do povo yorubano e não uma simples "qualidade" de Òrìsànlá ou seja, são divindades totalmente distintas, inclusive, não se suportavam, pelos fatos vistos; e que também Ìyá Olóòkun, é um Òrìsà feminino e a Dona do Mar, portanto da água salgada, é quem governa os oceanos e não o Òrìsà Yemojá, "Senhora do rio Yemojá e do rio Ògùn", divindade de água doce, e muito menos mãe de Ògún e de outros filhos Òrìsà à ela atribuídos. Notar a acentuação diferente no nome do Òrìsà Ògún e do rio, pois são palavras distintas.

Quanto a Sàngó, demonstramos que foi um mortal em sua vida no Àiyé, portanto quando morreu, tornou-se um egún, pois seus pais eram mortais. O que ocorreu em sua vida, foi que uma de suas esposas, e a única que o acompanhou em sua fuga de Oyó, era a divindade Oyá, loucamente apaixonada por ele, e no instante de sua morte ela o pega com o seu poder de Òrìsà e o conduz diretamente a Olódùmarè, e por insistência de Oyá, Ele o "ressuscita" como uma divindade, já que em vida, Oyá, perdida de amores, ensina-lhe vários segredos dos Òrìsà, principalmente o segredo do fogo que pertencia somente a Oyá, que ela lhe ensina e lhe dá este poder e outros, por paixão.



Oxum, Oyá e Obá. Mulheres de Xangô




Esta afirmação é facilmente notada, pois Xangô é a única divindade do panteão que é assentada de forma material completamente diferente, isto é, em madeira, numa gamela sobre um pilão, sua roupa ritual é composta de várias tiras de panos, coloridas e soltas, caindo sobre as pernas, que lembra perfeitamente o tipo de roupa usada pelos Bàbá Egúngún (ancestrais) e seu animal preferido para sacrifício é também o mesmo dos egún, dos mortos comum, o carneiro; existe também outras minúcias, que aqui não cabe mencionar.

Nos Candomblés, citam Ajaká e Aganju como sendo "qualidades" de Xangô, que agora sabemos isto não é possível, pois, Ajaká é seu meio irmão e Aganju é filho de Dadá Ajaká, portanto seu sobrinho, notoriamente pessoas mortais e completamente distintas, que fazem parte da família de Sàngó, mas não tiveram a honra de tornarem-se Òrìsà, mas são ancestrais ilustres. Também no Brasil, faz-se uma cerimônia chamada de "Coroa de Dadá" ou "Adê Baiani". que a coroa é levada ritualmente em uma charola durante as festas do ciclo de Xangô chamada de Banni ou lyamasse, que representa a mãe de Xangô. Ora, sabemos que quem usou este ade foi, Ajaká, apelidado de Dadá, de quem Sàngó lhe roubou o trono, e que a mãe de Sàngó foi Torosí, filha de Elémpe, rei dos Tapá, e que ela não tem nenhuma importância teológica, somente histórica, por ter sido mãe de um Aláàfin.


Não estamos desmerecendo e nem tampouco desprestigiando o Òrìsà Sàngó, somente tentamos elucidar fatos notoriamente conhecidos na terra dos Yorubas, sob os aspectos histórico, através da tradição oral, e divino que se convergem e se conservam na grandiosidade de Sàngó.
NOTA* : Os mitos e/ou fatos relatados, são baseados em dados religiosos, por vezes dogmáticos, que pertencem ao corpo da tradição oral yorubana. Sob o ponto de vista cientifico, são considerados parcialmente históricos, pois não são dados comprovados por documentos e nem tampouco pela arqueologia, que pouco investiu, os "pouquíssimos" artefatos que foram achados e datados pelo carbono 14, são de datas recentes, perto da longínqua História da Civilização Yoruba. No contraponto, em nenhum momento afirmamos que não exista a História dos Yorubas, isto sim, seria um absurdo afirmar. A tradição oral pode ser contraditória e a cronologia praticamente inexistente, pela forma cultural dos yorubas mensurarem o tempo, mas jamais poderá ser negligenciada e nem tampouco rejeitada. (Aulo Barretti Filho) Junho de 1984



Algumas qualidades de Xangô:



AGANJÚ: -  Quer dizer terra firme. Tem perna de pau e é casado com Iemanjá. É o filho mais novo de Oranian e o preferido, herdou sua fortuna. É o mais cruel, é aquele que leva o coração do inimigo na lança. É o Xangô amaldiçoado que matou e comeu a própria mãe.
Na verdade foi o 6º Alafin de Oyó que viveu em 1.240 A.C., aproximadamente. Era sobrinho neto de SHANGO.


BARÚ: -  Pega tempo e come com Exú. Dependendo da época este Orixá ora é BARU ora é ÌRÓKÒ. Tem caminhos com OYÁ YÀTOPÈ . Não come quiabo nem amalá, come amendoim cozido e padê. Na África ele é chamado de maluco, pois durante seu reinado fez muita besteira, motivo pelo qual os africanos não o raspam nem o assentam. Não fazia prisioneiros, matava todos. Veste-se de marrom e branco e suas contas são iguais a roupa. Toca-se para Exú e Xangô.
BARU era muito destemido, mas quando comia quiabo, que ele gostava muito, dormia o tempo todo e por isto perdeu muitas contendas, pois, quando acordava seus adversários já tinham voltado da guerra. Ele ficava indignado. Então resolveu consultar um OLUÓ que lhe disse : 
- Se é assim, deixe de comer quiabo 
- BARU perguntou : 
- me diz o que comerei no lugar do quiabo... 
- Só folhas... 
- Só folhas ? 
- perguntou BARU 
- Sim, respondeu o OLUÓ, tem duas qualidades , uma se chama oió e a outra xaná, são boas e gostosas como o quiabo. 
E BARU falou : 
- A partir de hoje, eu não comerei mais quiabo.



BADÈ: - É o mais jovem Vodum da família do raio ( cujo chefe é Keviosso), corresponde ao SÀNGÓ jovem dos Nagôs. É irmão de Loko. Usa roupa azul com faixa atada atras. Não fuma, não bebe nem fala. Um de seus animais prediletos é o chicharro.


KOSO, OBAKOSSÔ: - Perdeu os poderes mágicos de transportar-se da terra para o céu, enforcando-se num pé de OBI. Tem fundamentos com ÈSÙ, ÉGÚN e OYA, devido a sua morte. Em sua passagem pela cidade de Kossô, Xangô recebe o nome de Obakossô, ou seja, o rei de Kossô. Conta o mito que, depois de passar pela terra dos tapas, Xangô refugiou-se na cidade de Kossô, mas a dor de haver destruído seu povo, levou o rei a suicidar-se. No momento da morte de Xangô, Iansã chegou ao Orum e, antes que Xangô se tornasse um Egun, pediu a Olodumare que o transforme num orixá. Assim Xangô foi feito orixá pelo pedido de sua mulher Yansã. Os filhos de Obakossô são serenos, tiranos, cruéis, agressivos, severos, amorosos, moralistas.


AGODÔ; AGOGO; OGODO: - Muito ruim, brutal, inclinado a dar ordens e ser obedecido, foi ele quem raptou OBÁ. Come com YEMONJA.  Neste caminho; Xangô segura dois Oxês (machados). Sendo o seu èdùn àrà composto de dois gumes e é originário de Tapá. É aquele que, ao lançar raios e fogo sobre seu próprio reino, e o destrói.



AFONJÀ: - É o dono do talismã mágico dado por Oyá a mando de OBÀTÁLÁ. É aquele que fulmina seus inimigos com o raio. Come com YEMONJA, sua mãe. Patrono de um dos terreiros mais tradicionais e antigos da Bahia, o Axé Opô Afonjá, é o Xangô da casa real de Oyó. Nesse avatar Xangô Afonjá é aquele que está sempre em disputa com Ogum. Um dos mitos que relata tal passagem nos conta que Afonjá e Ogum sempre lutaram entre si, ora disputando o amor da mãe, Iemanjá, ora disputando o amor de suas eternas mulheres, Oyá, Oxum e Obá.



ALAFIN: - É o dono do palácio real, o governante de Oyó. Vem numa parte de Oxalá e caminha com Oxoguian.


OBÀ OLUBÈ: - É muito orgulhoso, intratável e muito bruto. Come com Oyá.


OLO ROQUE: - Seria o pai de Oxum Opará. Tem fundamento com Oxóssi. Veste vermelho e branco ou marrom e branco.


ALUFAN: - É idêntico a um Ayrá. Confundem ele com Oxalufan. Veste branco e suas ferramentas são prateadas.


JAKUTA:  - É aquele que atira as pedras, é a encarnação dos raios e trovões. É a própria ira de Olorun, o Deus criador. É o senhor do edun-ará, a pedra de raio. Conta o mito que o reino de Jacutá foi atacado por guerreiros de povos distantes, num dia em que seus súditos descansavam e dançam ao som dos tambores. Houve muita correria, muita morte, muitos saques. Jacutá escapou para a montanha seguido de seus conselheiros, donde apreciava o sofrimento de seu povo. Irado, o rei chamou sua mulher Iansã, que, chegando com o vento, levou consigo a tempestade e seus raios. Os raios de Iansã caíram como pedras do céu, causando medo aos invasores, que fugiram em debandada. Mais uma vez, Jacutá fora acudido por Iansã, e mais, sua eterna amante deu-lhe, dessa feita, o poder sobre as pedras de raio, o edun-ará. Gente de Jacutá tem espírito de um velho pensador, justiceiro, incansável, brutal, colérico, impiedoso, preocupado com a causa dos outros.



ORANIFÉ: -  É o justiceiro, reto e impiedoso, que mora na cidade de ifé.



TAPA: É muito conhecido pelo seu temperamento imperioso e viril. Não perdoa os erros de seus filhos.

Existe também opinião formada por muitos, baseada na mitologia e nas diversas fontes sobre as origens de Xangô, que Oranian seria seu pai; Dadá seu irmão, Aganju um dos seus sucessores, e Ogodo, o que segura dois oxés, sendo o seu èdùn àrà composto de dois gumes e é originário de tapá.
Os Airá são as qualidades de Xangô muito velhos, sempre vestidos de branco e usando segi (contas azuis) em lugar dos corais vermelhos, e serão originários da região de Savê. Há no entanto atualmente quem considere que Airá seria um Orixá diferente e não uma qualidade de Xangô. Esta questão requer ainda algum estudo e pesquisa séria.




Oxum
























Dona das águas. Na áfrica, mora no rio Oxum. Senhora da fertilidade, da gestação e do parto, cuida dos recém-nascidos, lavando-os com suas águas e folhas refrescantes. Jovem e bela mãe, mantém suas características de adolescente. Cheia de paixão, busca ardorosamente o prazer. Coquete e vaidosa, é a mais bela das divindades e a própria malícia da mulher-menina. É sensual, exibicionista, consciente de sua rara beleza. Se utiliza desses atributos com jeito e carinho para seduzir as pessoas e conseguir seus objetivos.

Oxum é chamada de Yalodê, título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre todas as mulheres da cidade, além disso, ela é a rainha de todos os rios e exerce seu poder sobre as águas doces, sem a qual a vida na terra seria impossível. Dança de preferência sob o ritmo de sua terra: Igexá. Sua dança lembra o comportamento de uma mulher vaidosa e sedutora.

Ela faz a qualquer um o que o médico não faz, é a Orixá que cura o doente com a água fria. Se cura a criança, não apresenta honorários ao pai. É a Orô, um pássaro que tem uma pena brilhante na cabeça, e a Yalodê, que ajuda as crianças a terem uma mãe. Manda a cabeça má ficar boa. Oxum é doce e poderosa como Oni. Oxum não concede as más coisas do mundo. Ela tem remédios gratuitos e faz as crianças tomarem mel. Sua palavra é meiga e deixa a criança abraçarem seu corpo com as mãos. A mão da criança é suave, Oxum é afável. É cliente dos vendedores de cobre. Agita sua pulseira para ir dançar. Ela é elegante e tem muito dinheiro para divertir-se. Suas jóias são de cobre e é proprietária do pente de cobre e de muitas penas de periquito. Não há lugar onde não se conhece Oxum, poderosa como um rei.


Quando Orumilá estava criando o mundo, escolheu Oxum para ser a protetora das crianças. Ela deveria zelar pelos pequeninos desde o momento da concepção, ainda no ventre materno, ate que pudessem usar o raciocínio e se expressar em algum idioma. Por isso, Oxum é considerada o orixá da fertilidade e da maternidade.

Por sua beleza, Oxum também é tida como a deusa da vaidade, sendo vista como uma orixá jovem e bonita, mirando-se em seus espelhos e abanando-se com seu leque (abebê).

A deusa das águas doce, símbolo da riqueza, do charme, da elegância, foi a segunda esposa de Xangô, antes, porém, esposa de Oxóssi, sua grande paixão. Patrona do ventre. Governa as ervas antissépticas e desinflamatórias. Seu domínio é subsolo do universo, suas características são a vaidade e a faceirice. Divindade única, genitora, ligada à procriação, patrona da gravidez, do desenvolvimento do feto, coloca o bebê sob sua proteção até que adquira o conhecimento da línguagem. Foi a primeira Iyámi encarregada de ser Olotoju Anon Omi (aquela que vela pelas crianças e cura). O seu axé principal é a atividade que rege esse conhecimento. Mãe ancestral suprema, Oxum é considerada a patrona dos peixes, mas é também representada pelos pássaros. O ovo é um dos seus símbolos.

Orê Yeyê ô! Oxum era muito bonita, dengosa e vaidosa. Como o são, geralmente, as belas mulheres. Ela gostava de panos vistosos, marrafas de tartaruga e tinha, sobretudo, uma grande paixão pelas jóias de cobre. Este metal era muito precioso, antigamente, na terra dos iorubás. Se uma mulher elegante possuía jóias de cobre pesadas. Oxum era cliente dos comerciantes de cobre. Omiro wanran wanran wanran omi ro! "A água corre fazendo o ruído dos braceletes de Oxum!" Oxum lavava suas jóias, antes mesmo de lavar suas crianças. Mas tem, entretanto, a reputação de ser uma boa mãe e atende às súplicas das mulheres que desejam ter filhos. 

Oxum, divindade feminina por excelência, é a filha predileta de Oxalá e de Iemanjá. Alguns dão Oxum por fruto de uma relação ilícita de Iemanjá com Ifá, mas ela também aparece, como outras versões míticas, como mulher deste último; ela está relacionada como a dona do jogo divinatório.

Os mitos mostram-nos Oxum casada com Oxóssi e mãe de Logun Edé; às vezes ela cria Iansã, outras vezes, na qualidade de co-esposa de Oxóssi com Iansã, ela cria os filhos que esta última abandona. Oxum, mulher volúvel, engana Oxóssi com Xangô, razão pela qual, desgostoso, o deus da caça resolve ir viver sozinho na floresta. Ela seduz Omolu, deixando-o perdidamente apaixonado, e obtém dele que afaste a peste do reino de Xangô. Mas Oxum é unanimemente considerada como a esposa de Xangô que por ela apaixonou-se, o como rival de Iansã e de Obá com as quais disputa os favores, do senhor do trovão.

Oxum divindade das águas doces e do rio Òsun no país Ijèsà, é ligada à família real de Osogbo. Foi trazida pelos escravos Ijès, e é considerada como Orixá dessa nação; Óxum é a deusa dos rios, fontes e regatos, das águas que nascem da terra.

Não é uma divindade das águas salgadas, embora receba em dezembro um presente no mar, juntamente com Iemanjá. Oxum é essencialmente a divindade dás mulheres, e preside às funções fisiológicas femininas, à menstruação, à gravidez, ao parto. Pode castigar suas filhas provocando-lhes hemorragias, ou tirando-lhes a menstruação antes do tempo. Òsun “olo kiki” “(dona do ekódíde), transformou o sangue da governanta de Òsàlá em ekódíde, pena do papagaio da Costa cuja cor vermelha é associada ao sangue menstrual e que evoca a ideia do nascimento, da fecundidade e da riqueza.

Oxum, divindade da gestação e do nascimento desempenha, pois importante função nos ritos de iniciação. Ela orna as crianças, e foi ela quem criou os filhos do Iansã.

“IYA MI TI TO SO OKU DE À IY É” – (ela transforma a morte em vida)

“ODI ONA KU ITA Ò RUN” – (ela fecha o caminho da morte)

Oxum também é uma mulher-menina que brinca de boneca. Sua relação com a maternidade exprime-se através de sua associação com o peixe, como no caso do Iemanjá; ela é representada sob a forma de uma sereia que é levada em procissão no dia do ipété, ou às vezes na forma de um peixe, símbolo da fecundidade e da fartura. Seu abèbé é geralmente enfeitado de um pequeno peixe ou de uma sereia. Generosa, nada recusa, e nunca se enfurece, o que pode acontecer com Iemanjá.

Fecundidade e fertilidade significam por extensão abundância e fartura, Oxum é a divindade da riqueza. 

“A WURA OLU” (a dona do ouro) O pássaro de Oxum, segundo me informaram, é o ADÀBÁ tipo de pombo de olhos vermelhos.

Por outro lado, Oxum desempenha importante papel no jogo de búzios, pois ela é quem formula as perguntas às quais Exu responde.

Em outros terreiros pode ser assentada junto com Xangô. Seu assento é uma sopeira de louça tampada com desenhos amarelados de tonalidade clara contendo seus otá, seixos redondos de cor também amarelada, e sua ferramenta, geralmente um pequeno abèbe de latão, imersos no mel. O peji é enfeitado de bonecas, de flores e frascos de perfume; Oxum é representada sob a forma de uma sereia que sai em solene procissão numa charola, no dia do Ipétè de Oxum.

O dia do òyè de Oxum é sábado, dia das águas; oferecem-lhe nesta ocasião omolukum, ovos cozidos, arroz, o ègbo de milho de Òsàlá. Nos dias da obrigação, ela pode receber uma cabra de cor amarelada; os animais de dois pés que acompanham são geralmente pombas ou galinhas. Mas, Oxm aprecia igualmente pato e conquém. Suas comidas secas são as já citadas omolukum, ipété, adun, isu, feijão preto, milho com coco, èkó, alua.

O ovo, sobretudo é consagrado a Oxum, pela cor amarelo dourado de sua gema e por representar a gestação. Oxum adora o mel, doce como ela. Oxum como era de se prever, não suporta o carneiro, e os filhos de Oxum não podem por esta razão assistir ao sacrifício na festa de Xangô. Quiabo e mamão são proibidos.

Divindade calma veste-se sempre de cores claras, de preferência amarelas que é a sua cor consagrada; porém, dependendo da qualidade, Oxum guerreira pode vestir-se de cor de rosa, Oxum velha de branco e azul claro; Oxum Ijimu, por exemplo, usa uma saia azul claro, òja e adê cor de rosa. Oxum leva na mão direita seu leque ritual, o abèbé de latão ou qualquer outro metal dourado, com uma sereia, um peixe ou até mesmo uma pequena pomba no centro.

O número de Oxum sendo dezesseis, o colar terá dezesseis fios, dezesseis firmas (ou duas, ou quatro) que podem ser de divindades com as quais ela tem afinidade, ou com as quais sua filha estiver relacionada: Oxóssi, Xangô, Iemanjá, por exemplo. Oxum dança os ritmos Ijexá, com passos miúdos, segurando graciosamente a saia.

O toque Ijèsà é ritmado como o balanço das águas tranquilas, e muito apreciado pelos fiéis. Quando estão Presentes Oxóssi e Logun Edé acompanham Oxum. Ogum também dança com Oxum os ritmos Ijèsà, assim como Ossaim. No terreiro jeje do Bogun, Oxum (ÍYÁLODE) dança o bravum como Naná. Ela se banha no rio, penteia seus cabelos, põe suas jóias, anéis e pulseiras. No dia do deká de uma filha de Iansã (Oya Bale) daquela casa, Oxum manifestou-se para disputar Xangô, empurrando-a e dançando, provocante, diante do deus do trovão.



Qualidades de Oxum


– ÒSUN ABALU; ABALO (Agba ilu) é uma velha Oxum, a mais idosa de todas, e chefe das mulheres. Maternal avó amorosa é uma mulher que tem numerosos filhos e netos. Mas é bastante severa e autoritária. Usa azul claro e um abèbé. É a verdadeira dona do leque e sempre se apresenta com ele. Come com Iemanjá no rio ou na lagoa. Carrega Ogum e uma Iansã. Tem ligação com Omulu e Oxóssi.




– ÒSUN IJIMU (ou Ajímu, ou Jimu) é outro tipo de Oxum velha. Veste-se de azul claro ou cor de rosa claro. Leva abèbé e seus colares são feitos de contas de cristal amarelo escuro com branco. Representa um tipo semelhante a Abalu, mas talvez mais meiga.  É a senhora da fecundidade e do feitiço, é a velha e vira bruxa na beira do rio. Come com Oxalá e Omolu. Não come bicho-fêmea, exceto pata. Aspecto idoso e dado às feitiçarias tem estreita ligação com Ìyámi Eleye. A Rainha e mãe de todas as Oxum.



– IYA OMI; ABOMI; OMIM OU LOMIN é a Oxum saudada no xirê, também idosa. É aquela que faz as perguntas a Exu no jogo divinatório de Ifá. Um dos nomes ou qualidades de Oxum que significa 'Senhora da água'. Suas filhas têm o direito de usar o Jogo de Adivinhação com até 16 búzios. Não tem ligação com os demais Orixás. Ligação com a Angola e seu jogo de búzios. É considerada uma das mais velhas, devido ao longo tempo de culto.



– ÒSUN ABOTÔ; YABOTÔ; BOTO; OXOGBO OU OGBO -  é uma Oxum muito jovem e vaidosa, que usa colares de contas de louça amarelo claro. Feminina e coquete. Relacionada ao parto e ao nascimento, ajuda as mulheres a terem filhos. É a origem de Oxum. Seu culto é realizado nas nascentes dos rios. É a Oxum das nascentes e dos encontros das águas doces e salgadas. Veste amarelo-ouro e azul-claro. Ela deu origem ao nome da cidade de Osogbo. Tem fundamentos com Yemanjá e Oxalá. Geralmente seus filhos são Àbìkús. Dizem ser feita no lugar de Ifá, apesar de vermos que muitos fazem no lugar de Ifá o assento de Oxum Abomi.
– ÒSUN APARÁ; OPARÁ -  seria a mais jovem das Oxum, e um tipo guerreiro que acompanha Ogum ou Xangô vivendo com ele pelas estradas e rochas; dança com ele quando se manifestam, juntos numa festa; leva uma espada na   mão e pode vestir-se de cor de rosa.



– ÒSUN AJAGURA; AJAGIRA; AJAGURÁ -  outra Oxum jovem guerreira que leva espada ou abebé,  casada com Aganju, rival de Iansã. Representa um tipo semelhante a Opará; porém mais agressiva, e Ajagurá mais orgulhosa. Pertence à nação nagô - Oyo, Pernambuco.



– YEYE ÔKÊ; OKE; LOKE; OLOKO OU LÊ ÎE -  Apresenta-se como caçadora, mais também é muito guerreira. Vive no interior das matas ou florestas e é associada as Iyami. Veste amarelo-ouro e usa ofá, traz ainda uma espada e o abebê. Come com Oxossi e Ewá somente a caça. Foi esposa do mais velho Oxossi que existe e criou os filhos que lansã teve com seu marido, aliás, só permitia que Oyá tratasse de seus filhos quando eles adoeciam.


– YEYE PONDÁ; YPONDÁ; PANDÁ -  é também uma Oxum guerreira, casada com Oxóssi Ibualama e mãe de Logun Edé . Yeye Ipondá é a verdadeira Oxum Ijexá que veio de Ijexá ou de Ipondá Vive no mato com o marido, leva uma espada e veste-se de amarelo ouro. E desconfiada, astuta, observadora, intuitiva. Senhora de Ifá. Porta um leque e com sua espada guerreia bravamente. Vive no mato com seu marido. Veste amarelo-ouro e azul-claro na barra da saia. Relacionada ao fogo e aos cemitérios, tem ligação com Egun. A pata é a sua maior quizila, seu bicho de fundamento é a tartaruga. É uma jovem da cidade de Iponda. Tem ligação com Ogum, Oyá, Oxossi e Oxaguiã. Come com Iyemonjá e Oxalá. Alguns dizem ser companheira de Omulu, muito feiticeira tendo ligação com o fogo.



– YEYE ODO; ODÓ é a Oxum das fontes; talvez seja a mesma que Iyámi Odo , um tipo muito parecida com Iemanjá.  É a Mãe das Ancestres.  Veste branco e azul. Come com Oxalá e Yemanjá. Senhora dos perdões. Nas nascentes dos rios reside Yèyé Odó.



– YEYE OGA; OJA -  é uma Oxum velha e rabugenta. Muito enquizilada



– YEYE KARÉ; KARÊ é um tipo de Oxum mais velha, muito autoritária e muito guerreira e extremamente agressiva. Muitas vezes confundida com Iansã por muito rápida. Sua arma é um ofá (arco e flecha). Veste saia branca com forro amarelo-claro. Tem fundamentos com Oxóssi. Acompanha Yemanjá e Oxalá. Come na lagoa e no encontro das águas salgadas com as doces. É manca da perna esquerda e só come bichos-fêmeas. Karê é um de seus títulos, na verdade Karê tem seu próprio nome que poucos conhecem. Tem ligação com Oyá.


– ÒSUN Ê WUJ Í; WIJÍ -  é uma Oxum maternal e generosa, saudada no Padê e senhora do Ronkó ou Peji.


– YEYE IPETU; PETU -  Qualidade de Oxum que divide o mesmo Ori com Iansã. Gosta do cobre. É o aspecto maduro da Oxum. Encaminha a Olorum os eguns dos afogados usando a coluna de água formada pelos ventos de sua porção Iansã. É guerreira também. Cultuada nas Lagoas. Dizem não incorporar mais.



Àyàlá ou Ìyánlá ou Ayla ou Yala: É a avó das Oxum. Muito poderosa e guerreira. Veste o amarelo e o azul-claro. Come com Ogum. Mora nas matas e tem caminhos com Obaluaiê. Àyàlá, que também foi esposa de Ògún Alagbdé e é conhecida como a "avó" que tocava música num fole para fazer dançar Egúngún, mantém estreita ligação com as lyámi (nossas mães queridas, as famosas feiticeiras) .



Kissimbi: nkisi ou hamba de Angola. Antigo nome correspondente a Oxum entre os negros angolanos e congos no Brasil.



Lobá-guerê ou Gueré: Oxum velha que dirige os trabalhos do qual o auxiliar é o Exu Laboré Fumen. Gueré quer dizer docemente ou alegremente. Tem ligação com Xangô



Iberin ou Merin: Feminina, coquete e muito elegante. Aspecto maduro da Orisá, nessa forma não desce nas cabeças.


Ogum


Ogum como personagem histórico, teria sido o filho mais velho de Odùduà, o fundador de Ifé. Era um temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Dessas expedições, ele trazia sempre um rico espólio e numerosos escravos. Guerreou contra a cidade de Ará e a destruiu. Saqueou e devastou muitos outros Estados e apossou-se da cidade de Irê, matou o rei, aí instalou seu próprio filho no trono e regressou glorioso, usando ele mesmo o título de Oníìré, "Rei de Irê". 

Por razões que ignoramos, Ogum nunca teve o direito a usar uma coroa (adé), feita com pequenas contas de vidro e ornada por franjas de miçangas, dissimulando o rosto, emblema de realeza para os iorubás. Foi autorizado a usar apenas um simples diadema, chamado àkòró, e isso lhe valeu ser saudado, até hoje, sob os nome de Ògún Oníìré e Ògún Aláàkòró inclusive no Novo Mundo, tanto no Brasil como em Cuba, pelos descendentes dos iorubás trazidos para esses lugares. Ogum teria sido o mais enérgico dos filhos de Odùduà e foi ele que se tornou o regente do reino de Ifé quando Odùduà ficou temporariamente cego (informação pessoal do Óòni(rei) de Ifé em 1949).

Como Orixá, Ogum é o deus do ferro, dos ferreiros e de todos aqueles que utilizam esse metal. Foi um temível guerreiro, que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Dessas guerras trazia sempre um rico espólio.

Os lugares consagrados a Ògún ficam ao ar livre na entrada dos palácios dos reis e nos mercados. Estes lugares são geralmente pedras em forma de bigorna, colocadas perto de uma grande árvore: Àràbà. São protegidos por uma cerca de plantas nativas, chamadas peregun ou akoko. Nestes locais periodicamente os sacerdotes realizam suas oferendas.

Há vários nomes de Ògún fazendo alusão a cidades onde houve o seu culto, como Ògún Ondo da cidade de Ondo, Ekiti onde também há seu culto, etc. O orixá possui vários nomes na África como no Brasil e com isso ganha as suas particularidades e costumes.

O Orixá Ogum tem todas ligações que se estabelecem em diferentes lugares: Estrada de ferro, caminhos, etc. 
Axé (Força emanada), Senhor das defesas, das batalhas, do ferro, etc.
Ferramentas: Espadas e peças feitas em ferro.

O dia da semana é a terça-feira, sua saudação é Ogunhê e sua comida preferida é o feijão, o inhame kará. O animal preferido em seu culto é o cachorro, mas é pouco adotado em casa de axé, pois nossa cultura tem muito afeto a esses tipos de animais. Na Umbanda ele também é cultuado de diversas formas como: Beira mar, 7 espadas de ouro, Ogum de ronda, etc.

Alguns acreditam que Ogum era filho de Iemanjá, irmão de Oxóssi e Exu.



QUALIDADES DE OGUM





Ògún Meje ou Meje Meje – É o mais velho de todos, a raiz dos outros, Ògún completo, velho solteirão rabujento. É o aspecto do orixá que lembra a sua realização em conquistar a sétima aldeia que se chamava Ire (Meje Ire) deixando em seu lugar o seu filho Adahunsi.


Ògún Je Ajá ou Ogúnjá como ficou conhecido – Um de seus nomes em razão de sua preferência em receber cães como oferendas, um dos seus mitos liga-o a Oxaguiã e Iemanjá quanto a sua origem e como ele ajudou Oxalá em seu reino fazendo ambos um trato.É um Ògún, como indica o seu nome, particularmente combativo. Tem temperamento rabugento, solitário, veste-se de verde escuro e usa contas verdes. Dizem que acompanha Ogúnté.


Ògún Ajàká – É o “verdadeiro Ògún guerreiro”, sanguinário, que em princípio se veste de vermelho. Teria sido rei de Òyó e irmão de Sàngó. Ajàká é um tipo particularmente agressivo de Ògún, um militar acostumado a dar ordens e a ser obedecido, seco e voluntarioso, irascível e prepotente.


Ògún Xoroke ou Ògún Soroke– Apenas um apelido que Ògún ganhou devido à sua condição extrovertida; soro = falar, ke= mais alto. usa contas de um azul escuro que se aproxima do roxo do colar de Exu, seu irmão e amigo íntimo. "Xoroke é um Ogum que tende a confundir-se com Exu, agitado, instável, suscetível e manhoso.


Ogún Meme – Veste-se igualmente de verde e usa contas verdes, como Ogunjá, mas de uma tonalidade diferente.


Ògún Wori – (Warri, Waris ou wori: Yorübá) – É um Ògún perigoso, dado da feitiçaria, ligado ao màriwò, aos antepassados.; Tem temperamento difícil, suscetível, autoritário o espírito dogmático. Apresenta-se muitas vezes com forças destrutivas e violentas. Segundo os antigos, a louvação Patakori não lhe cabe, ao invés de agradá-lo ele se aborrece. Um dos seus mitos narra que ele ficou momentaneamente cego.


Ògún Lebede (Alagbede) – É o Ogum dos ferreiros, marido de Iemanjá Ogunté e pai de Ogum Akoro. Representam um tipo mais velho de Ogum, trabalhadores conscienciosos, severos, que “não brincam em serviço”, ciente de seus deveres como de seus direitos, exigente e rabugento.


Ògún Akoró – É o irmão de Oxóssi, ligado à floresta, qualidade benéfica de Ògún invocada no padê. Filho de Ogúnté, Akoró é um tipo de Ogum jovem e dinâmico, entusiasta, era empreendedor, cheio de iniciativa, protetor, seguro, amigo fiel, e muito ligado à mãe.



Ògún Oniré – É o título de Ògún filho de Oniré, quando passou a reinar em Ire, Oni = senhor, Ire = aldeia., o dono de Iré, primeiro filho de Odúduwà. Oniré é um Ògún antigo que desapareceu debaixo da terra. Usa também contas verdes. Guerreiro impulsivo é o cortador de cabeças, ligado à morte e aos antepassados; orgulhoso, muito impaciente, arrebatado, não pensa antes de agir, mas acalma-se rapidamente.

Ògún Olode – Epíteto do orixá destacando a sua condição de chefe dos caçadores, originário de Kétu. Não come galo por ser um animal doméstico. Amigo do mato, dos animais, conhecedor dos caminhos, e é um guia seguro. Seu temperamento solitário assemelha ao de Oxóssi. Filho de Ogum Oniré com Oxum Ypondá.


Ògún Popo – Seria o nome de Ògún quando foi à terra dos Jeje, é um tipo fanático.


Ògún Masa – Um dos nomes bastante comuns do orixá, segundo os antigos é um aspecto benéfico do orixá quando assim se apresenta.



Ogum Já- é um Ogun, como indica seu nome, particularmente combativo. Amigo do cachorro que lhe é consagrado é como ele um protetor seguro. Mas tem temperamento rabugento, solitário, veste-se de verde escuro e usa contas verdes..Dizem que acompanha Ogúnté.


Ogun Meme - veste-se igualmente de verde e usa contas verdes, como Ogunjá, mas de uma tonalidade diferente. 



Há vários nomes de Ògún fazendo alusão a cidades onde houve o seu culto, como Ògún Ondo da cidade de Ondo, Ekiti onde também há seu culto, etc. O orixá possui vários nomes na África como no Brasil e com isso ganha as suas particularidades e costumes.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Oyá / Iansã







Ela é a deusa dos ventos, das tempestades, dos tufões, dos elementos aéreos ligados ao relâmpago (ar + movimento = ao fogo). É a deusa do rio Níger da África que em iorubá, chama-se Odò Oya. Comanda os eguns (os mortos). Extrovertida e sensual como poucas. Foi a primeira esposa de Xangô. Tinha um temperamento ardente e impetuoso. Destemida, justiceira e guerreira, não teme a nada.

Iansã é um Orixá feminino muito famoso no Brasil, sendo figura das mais populares entre os mitos da Umbanda e do Candomblé em nossa terra e também na África, onde é predominantemente cultuada sob o nome de Oiá. É um dos Orixás do Candomblé que mais penetrou no sincretismo da Umbanda, talvez por ser o único que se relaciona, na liturgia mais tradicional africana, com os espíritos dos mortos (Eguns), que têm participação ativa na Umbanda, enquanto são afastados e pouco cultuados no Candomblé. Em termos de sincretismo, costuma ser associada à figura católica de Santa Bárbara. Iansã costuma ser saudada após os trovões, não pelo raio em si (propriedade de Xangô ao qual ela costuma ter acesso), mas principalmente porque Iansã é uma das mais apaixonadas amantes de Xangô, e o senhor da justiça não atingiria quem se lembrasse do nome da amada. Ao mesmo tempo, ela é a senhora do vento e, conseqüentemente, da tempestade.

Nas cerimônias da Umbanda e do Candomblé, Iansã, ela surge quando incorporada a seus filhos, como autêntica guerreira, brandindo sua espada, e ao mesmo tempo feliz. Ela sabe amar, e gosta de mostrar seu amor e sua alegria contagiantes da mesma forma desmedida com que exterioriza sua cólera. 


Como a maior parte dos Orixás femininos cultuados inicialmente pelos iorubás, é a divindade de um rio conhecido internacionalmente como rio Níger, ou Oiá, pelos africanos, isso, porém, não deve ser confundido com um domínio sobre a água. 


A figura de Iansã sempre guarda boa distância das outras personagens femininas centrais do panteão mitológico africano, se aproxima mais dos terrenos consagrados tradicionalmente ao homem, pois está presente tanto nos campos de batalha, onde se resolvem as grandes lutas, como nos caminhos cheios de risco e de aventura - enfim, está sempre longe do lar; Iansã não gosta dos afazeres domésticos. 


É extremamente sensual, apaixona-se com freqüência e a multiplicidade de parceiros é uma constante na sua ação, raramente ao mesmo tempo, já que Iansã costuma ser íntegra em suas paixões; assim nada nela é medíocre, regular, discreto, suas zangas são terríveis, seus arrependimentos dramáticos, seus triunfos são decisivos em qualquer tema, e não quer saber de mais nada, não sendo dada a picuinhas, pequenas traições. É o Orixá do arrebatamento, da paixão. 


Foi esposa de Ogum e, posteriormente, a mais importante esposa de Xangô. é irrequieta, autoritária, mas sensual, de temperamento muito forte, dominador e impetuoso. É dona dos movimentos (movimenta todos os Orixás), em algumas casas é também dona do teto da casa, do Ilê. 


Iansã é a Senhora dos Eguns (espíritos dos mortos), os quais controla com um rabo de cavalo chamado Eruexim - seu instrumento litúrgico durante as festas, uma chibata feita de rabo de um cavalo atado a um cabo de osso, madeira ou metal. 


É ela que servirá de guia, ao lado de Obaluaiê, para aquele espírito que se desprendeu do corpo. É ela que indicará o caminho a ser percorrido por aquela alma. 


Duas lendas se formaram, a primeira é que Iansã não cortou completamente relação com o ex-esposo e tornou-se sua amante; a segunda lenda garante que Iansã e Ogum, tornaram-se inimigos irreconciliáveis depois da separação.
Iansã é a primeira divindade feminina a surgir nas cerimônias de cultos afro-brasileiros.


Deusa da espada do fogo, dona da paixão, da provocação e do ciúme. Paixão violenta, que corrói, que cria sentimentos de loucura, que cria o desejo de possuir, o desejo sexual. É a volúpia, o clímax. Ela é o desejo incontido, o sentimento mais forte que a razão. A frase estou apaixonado, tem a presença e a regência de Iansã, que é o orixá que faz nossos corações baterem com mais força e cria em nossas mentes os sentimentos mais profundos, abusados, ousados e desesperados. É o ciúme doentio, a inveja suave, o fascínio enlouquecido. É a paixão propriamente dita. É a falta de medo das conseqüências de um ato impensado no campo amoroso. Iansã rege o amor forte, violento.


Características



Cor: Coral (amarelo)

Fio de Contas: Coral (marrom, bordô, vermelho, amarelo)

Ervas: Cana do Brejo, Erva Prata, Espada de Iansã, Folha de Louro (não serve para banho), Erva de Santa Bárbara, Folha de Fogo, Colônia, Mitanlea, Folha da Canela, Peregum amarelo, Catinga de Mulata, Parietária, Para Raio (Catinga de mulata, Cordão de frade, Gerânio cor-de-rosa ou vermelho, Açucena, Folhas de Rosa Branca)

Símbolo: Raio (Eruexim -cabo de ferro ou cobre com um rabo de cavalo) 

Pontos da Natureza: Bambuzal

Flores: Amarelas ou corais

Essências: Patchouli

Pedras: Coral, Cornalina, Rubi, Granada

Metal: Cobre

Planeta: Lua e Júpiter

Dia da Semana: Quarta-feira

Elemento: Fogo

Chacra: Frontal e cardíaco

Saudação: Eparrei Oiá

Bebida: Champanhe

Animais: Cabra amarela, Coruja rajada

Comidas: Acarajé (Ipetê, Bobó de Inhame)

Numero: 9

Data Comemorativa: 4 de dezembro

Sincretismo: Sta. Bárbara, Joana D'Arc.

Incompatibilidades: Rato, Abóbora.

Atribuições: Uma de suas atribuições é colher os seres fora-da-Lei e, com um de seus magnetismos, alterar todo o seu emocional, mental e consciência, para, só então, redirecioná-lo numa outra linha de evolução, que o aquietará e facilitará sua caminhada pela linha reta da evolução.



Qualidades de Iansã


Abomi ou Bomin: Tem fundamento com Xangô e Oxum.



Afefe: É ela quem comanda os ventos, tem caminhos com Obaluaiê e Egum. Veste vermelho e branco, também usa coral, o chorão de seu adê é alaranjado. Afefe, o vento, a tempestade, acompanha Oyá.


Akaran; Tiodô; Leié e Oniacará: Só encontrada em algumas casas. Sem referencias.


Arirá: uma de suas formas jovens também. Tem fundamentos com Aganjú, veste-se de vermelho e branco. Representa ventos intensos. E também ligada à paixões ardentes.

Bagan: Não tem cabeça. Come com Exu, Ogum e Oxóssi. Tem caminhos com Egum. Oyá com fundamentos em Oxossi e Ossain. Rege o vento das matas.



Bagbure: Não tem fundamento com nenhum Orixá. Parece pertencer ao culto de Egunguns.



Biniká ou Benika: Tem fundamento com Oxum Opará. A senhora dos ventos quentes, ligada à Oxumarê e a Omulu.


Euá: Um Orixá em particular, mais que em alguns Ilês foram encontradas como forma de Oyá.


Filiaba: Tem fundamento com Omulu.



Gunán ou Gigan: Tem fundamento com Xangô.



Kedimolu: eró Oxumarê e/ou Omolu.



Kodun: eró com Oxaguiã.



Maganbelle ou Agangbele: esse caminho mostra a dificuldade quanto à geração de filhos. Tem fundamento com Iroko e Xangô. Seu assentamento deve ser feito aos pés de Iroko.



Messan; Yamesan ou Iamesan: É a que foi esposa de Oxossi. É represntada como um Centauro (Metade mulher, metade búfalo), só come caça com Oxóssi nas matas. É a mãe dos nove filhos Oyá Mesan é um de seus epítetos. É assentada no tempo junto à Oxóssi. Veste-se de marrom.


Obá: Orixá independente, mais que em algumas casas foi encontrada como qualidade de Oyá.


Odo: Ligada às águas e apaixonada carnal, é muito louca por amor.


Ogaraju: É uma das mais antigas no Brasil.



Onira: É uma ninfa das águas doces e seu culto aqui no Brasil é confundido com o culto das outras Oyá's por ser uma grande guerreira. É saudada como Oyá, sendo seu culto na África totalmente diferente. Tem ligação com o culto a Egum. Tem grande ligação com Oxum, pois foi ela quem ensinou Oxum Opara a lutar. É muito perigosa por sua ligação e caminhos com Oxaguiã, Ogum e Obaluaiê. Veste coral e amarelo. É Rainha da cidade de Ira (filha ou mulher de Sàngó). "Onirá" na África é um título de Oiá, significando "Senhora da Cidade de Irá". Também veste rosa.


Onisoni: Tem fundamento com Omulu.



Petu: Nesse aspecto ela convive com Sàngó. Ligada aos ventos e as árvores. Vem sempre antes de Xangô, e até confundem-se com ele. Oyá dos raios. Veste vermelho e branco.


Semi: Tem fundamento com Obaluaiê.



Seno ou Ceno: Tem fundamento com Oxumarê.



Sinsirá: Tem fundamento com Obaluaiê.



Sire: Tem fundamentos com Ossaim e Ayrá.


Yapopo: Tem fundamento com Obaluaiê.


Tope ou Yatopé ou Tupé: Tem ligação com Xangô e veste-se de branco. Tem fundamento com Ogum e Exu. Ligada também a Oxum. (Alguns axés a tem como uma igbalé)







Gbale ou Igbalé ou Balé (aquela que retorna a terra): É a Deusa dos mortos. É Ligada diretamente ao culto de Egum, por isso é a senhora dos cemitérios. Tem pleno domínio sobre os mortos, trazendo consigo uma falange de Egum que ela controla, pois todos temem seu poder. O culto a Egum nasceu nas mãos de igbalé quando ela fora buscar uma substancia que permitia a Xangô soltar fogo pelas narinas. Oyá ficou sabendo que o povo Tapa iria invadir a cidade de Baribas, então forrou na beira de um rio um pedaço de pano vermelho, colocou algumas cabaças, evocou os mortos e aquele pano tomou vida e saiu voando na direção dos inimigos, colocando-os para correrem apavorados. Devido a sua ligação com Egum é proibido vesti-la de vermelho, sua vestimenta é branca. Possuem ligação direta com Iku (morte) Subdividem-se em:


a) Gbale Adagangbará: Tem fundamento com Exu.


b) Gbale Afakarebó ou Fakarebô: Não é feita em seus eleitos. É a verdadeira dona do ebó, é a ela que é entregue todos os ebó's. Seus caminhos levam diretamente a Exu e Egum. Seus rituais são todos feitos no murim, cabaças e porrões.


c) Ate Oju: Orisá Igbalé aspecto difícil de Oyá quando caminha com Nanã.


d) Gbale De: não temos referências.


e) Egunitá: Orisá Igbalé. (Igbalé são as Oyá's das almas, também conhecidas como Iansã de Balé). Egunitá é ligada ao culto dos Eguns. Seu fundamento é mais forte. É a senhora que caminha com os mortos.


f) Igbalé Fuman: (Afefe Yku Funan: A Senhora do Fogo e dos ventos da Morte). Caminha com Ogum e Obaluaiê. Tem caminhos também com Egun e Ikú. Veste branco e pode usar azul-claro.


g) Gbale Furé: Usa uma foice na mão esquerda e um eruexim na direita. Veste branco e por cima das vestes a palha da costa. Dança como se estivesse carregando na cabeça uma enorme cabaça. Em suas vestes são penduradas pequenas cabaças, no tornozelo direito uma pulseira de aço. Tem ligação direta com o culto aos Eguns. Preside a vida e a morte.


h) Gbale Guere ou Logunere: uma de suas formas. Tem forte fundamento com Ogum e Omulu.


i) Gbale Lario:


j) Lesseyen = uma das Igbalé que mora no próprio Balé. Tem fundamentos com Omulu.


k) Gbale Min:


l) Gbale Toning be.


m) Oyá Egunitá: Igbalé, a que vive com os mortos/eguns. Veste-se de branco e mariwò (palha do dendezeiro). Ligada a Oxalá, Nanã, e ao vento do Bambuzal.


n) Oyá Funan: Igbalé, é a oyá que encaminha os mortos/eguns. Veste-se de branco e mariwò; ligada a Oxalá, Nanã, Omulú e ao vento do bambuzal.


o) Oyá Padá: Igbalé, que ilumina o caminho dos mortos/eguns. Veste-se de branco e, também, é ligada a Oxalá, Omulú, Nanã e ao bambuzal.



p) Oyá tanan: Igbalé, que recebe os eguns no portal, veste-se de branco e mariwò, está ligada a Oxalá e Nanã e ao vento do bambuzal.


q) Oyá Ate Oju: Igbalé, aspecto difícil de Oyá. Tem fundamentos com Nanã. Veste-se de branco. Muito vingativa.


r) Oyá Furé: Igbalé, seu culto é diretamente ligado à morte e aos eguns. Veste-se de branco e Mariwó, usa na mão esquerda uma foice e na outra o eruxin. Em suas vestes vão nove pequenas cabaças penduradas.




s) Oyá Senó ou Sinsirá: Oyá raríssima ligada aos fundamentos de Yemonjá e Ayrá.



t) Oyá Ijibé ou Ijibi: Veste branco, ligada a Oxalá e ao vento frio.



u) Oyá Kará: Veste-se de vermelho ligada a Xangô, ao fogo. Aquela que carrega o Ajerê fervendo na cabeça.


v) Oyá Leié: O vento dos pássaros, ligada a Ewá, veste-se de estampado.





Oyá Mavanjú : Nkisi Feminino, trata-se da própria Oyá na ANGOLA, porém também se tem por qualidade de Oyá – Representa a forte ventania, a força jovem e arrebatadora de Oyá. Veste-se de vermelho intenso ou marrom. 



Oyá Logunere: Uma de suas formas Jovem. Tem fundamentos com Logunedé, representa Oyá da caça, ou a mais romântica. 




Oyá Agangbelé: Forma mais velha, representa as piores tempestades. Tem fundamentos com Exú e Ogum. 



Oyá Olodé: tem fundamentos com Oxossi na mata. Veste-se de vermelho e mariwó. 


Oyá Tonin’bé: Tem fundamentos com Exú, representando os caminhos. Ligada ao fogo. Veste-se de vermelho e mariwò. 



Oyá Fakarebó: Também ligada a Exú, é velha. Participa da cerimônia do Padê. Veste-se de vermelho. Não é feita em seus “eleitos”, pois é a verdadeira dona dos ebós. Seus rituais são todos feitos no morim e em cabaças. 


Oyá Adagambará: Tem fundamentos com Oxossi, quando este entra na mata da morte. É velha. Veste-se de Marrom e mariwò. 


Yatopé: Tem ligação forte com xangô, veste o branco. É jovem.





Teremos ainda vários outros nomes de Oyá que se confundem ou são os mesmos, títulos e qualidades diversas.