segunda-feira, 16 de abril de 2018

Ataré


O Ataré também conhecido como Pimenta da Costa, Grãos do Paraíso e cujo nome científico é Aframomum melegueta roscoe K. Schum pertence à família Zingiberacea e a mesma do gengibre. Encontrada na região costeira da África, é uma erva perene com porte de uma “mini palmeira” podendo atingir cerca de 1,0 a 1,5m de altura, seus frutos quando secos apresentam uma casca de coloração marrom, as sementinhas de ataré são encontradas dentro do fruto envolvidas por uma película bem fina. O seu cultivo é essencialmente pela sua valiosa semente, que possui uma picância não muito acentuada (tipo o amargo da mostarda), que lhe valeu o nome de "grão do paraíso", indicando seu alto valor como especiaria e na medicina. A semente é usada extensivamente em etno medicina para uma variedade de doenças, possuem ativos para diversas atividades biológicas, especialmente contra inflamações e doenças infecciosas. 

Além de propriedades medicinais o Ataré é utilizado em rituais de Candomblé. Seu uso acontece em cerimonias que fazem alusão ao Orixá Exú. Este é utilizado com o significado de limpar o hálito e retirar todas as más intenções que as palavras podem conter. Outra cultura que utiliza o Ataré é a Cultura Iorubá, que o usa como forma de dote, onde o noivo oferta ataré à família da noiva e este significa fecundidade.

Os Grãos do Paraíso ou ataré tem sido a planta nativa favorita para curandeiros africanos, que usam suas sementes para tratar doenças de tosse, dor de dente e para sarampo. Suas sementes são utilizadas na África Ocidental como um remédio para uma variedade de doenças como dor de estômago, diarreia e até mesmo picada de cobra. As sementes do ataré contêm gingeróis e compostos relacionados que podem ser úteis contra as doenças cardiovasculares, diabetes, e inflamações.

O ataré ou pimenta da Costa, é um elemento bastante utilizado em inúmeros rituais do candomblé. Seu simbolismo provém da força que produz ao ser mastigada, e também pelo fato de ela dá força à palavra da pessoa que a mastiga, aumentando o dom de profetização, tanto para coisas positivas quanto para negativas, assim como protege o corpo físico e espiritual da pessoa que a oferece.

É um elemento de predileção de Exu, mas inúmeros outros orixás a aceitam, ela vai em ebós, boris, na produção de atins, nos igbás e em inúmeras outras funções dentro da religião. Costuma-se soprar grãos de ataré mastigados com gim na porta da rua pra despachar e ter voz de comando junto a Exú, assim como se mastigar pimenta da Costa cedo ao acordar sem escovar os dentes, para ser reconhecido por Exu e Orixá.

Alguns chegam até a cuspir no igbá Exu, ataré com gim, fazer seus orikis e seus pedidos com a “força na palavra”.

Quando se acorda pela manhã, sem lavar a boca se esta com seu emi, seu halito, seu cheiro natural. O Orixá e Exú sentem e reconhecem nosso cheiro natural. Esse costume de se levantar e antes de fazer qualquer coisa mascar ataré é um costume que provêm do povo de Ifá.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Aridan


Aridan, Àrìdan é o nome de uma árvore de origem africana, cultivada no Brasil, que produz frutos com o mesmo nome, seu nome científico é TETREPLEURA.

Fava de Aridan como é chamado no candomblé é um fruto sagrado que entra na maioria dos rituais do candomblé, principalmente nos rituais do ODUN EJÊ, SASANHA, ABÔ e ASSENTAMENTO DE ORISÁS. No sentido de proteger o barracão e os filhos de santo contra os feitiços.

Segundo Verger, este mesmo vegetal tem o mesmo nome na África e um vasto uso nos rituais, principalmente em trabalhos benéficos para combates de bruxaria praticadas pelas feiticeiras(IYÁMI'S).

A fava consiste em um envólucro que protege as sementes e em algumas espécies, são usadas ainda verde como leguminosas, em outros espera-se q amadureçam e sequem para serem trituradas ou delas serem retiradas suas sementes.

Seu uso é exatamente no sentido de proteção, que vai efetuar ao iniciado quando mistirada nos preparos de pó sagrado.

Nos rituais de Orisás, nada se faz sem o uso dessa poderosa fava, que é utilizada desde os tempos remotos, por sacerdotes das diversas regiões da África.

A Aridan é muito conhecida pelo povo do candomblé, por ser talvez a mais sagrada de todas as favas utilizadas. Até mesmo ESÚ leva essa fava em seu assentamento e jamais se faz nada, sem que ela esteja dentro do IGBÁ ORISÁ.

Sua utilização dentro do Candomblé é universal, sendo que todas as nações a utilizam e praticamente da mesma forma. Apenas ressalto que somente um sacerdote devidamente preparado pode utilizar essa ou qualquer outra fava nos rituais litúrgicos.

A Aridan protege desde os IGBÁS, as pessoas e a Casa de candomblé.

ASÉ!

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Sabão da Costa (Òsé Dudu)



Origem do Sabão da Costa



No início do século XVI, navegadores ibéricos, por falta de conhecimento geográfico, passaram a designar genericamente toda a costa atlântica africana e seu interior imediato, como «da Costa», e naturalmente, tudo o que dali procedesse possuía a mesma denominação, ou seja, seria «da Costa», e isso não serviu apenas para o sabão, mas também outros artigos tais como: pano (da Costa), pimenta (da Costa), limo (da Costa), esteira (da Costa), etc.

Segundo estudos, de diversos historiadores, o sabão da Costa era importado pelo Brasil desde o ano de 1620. Nessa época ele era procedente de países como Gana e Camarões e, principalmente da Nigéria, grande produtor. O antigo Daomé (atual República do Benin) e Togo, também produziam sabão, o dito da Costa, que era trazido por escravos e seus algozes, os traficantes de escravos.
No livro «Casa Grande e Senzala», o clássico estudo de Gilberto Freyre, este grande erudito nos informa que o sabão da Costa, passou a ser vendido ao povo em geral, no Brasil, notadamente nas ruas do Rio de Janeiro, por escravos libertos logo após a Abolição da Escravatura.


No Rio de Janeiro, já no século XX e principalmente a partir dos anos 70, com a chegada massiva de estudantes nigerianos que aqui vieram para estudar em diversas Universidades, iniciou-se um intenso comércio, não só do sabão da Costa, como também de muitos outros artigos religiosos. O Mercadão de Madureira, sem dúvida é o maior centro difusor. No Brasil no início dos anos 70, poucas eram as lojas que o tinham para venda. Devido ás suas propriedades medicinais, terapêuticas religiosas, seu uso tornou-se mais intenso.


Mas é bom saber, e estar alerta, pois alguns africanos em conluio com alguns comerciantes inescrupulosos misturaram sabão da Costa legitimo com um outro, que é tido como sabão da Costa, porém é inferior ao original, embora também seja vendido em larga escala. Nos grandes mercados africanos podemos encontrá-lo geralmente envolto em folhas de bananeira ou até em pequenas bolas de 100g envoltas em plástico. É o mesmo e velho sabão da Costa!
Texto extraído do livro «O uso mágico e terapêutico do Sabão da Costa» de Fernandez Portugal Filho – Rio de Janeiro, 2011 – Editora Cristális.




Sabão da Costa: princípios, uso e propriedades



Sabão da Costa, òsé dudu em Yorùbá, literalmente sabão negro. Òsé dudu é um sabão negro consistente, de origem africana, comum em todos os mercados populares em diversos países africanos. Os originais são feitos de forma artesanal, com gordura animal; é pastoso e faz bastante espuma. Pode ser associado a ervas secas, especiarias, azeites, óleos, pós de vegetais, minerais, ossos de diversos animais, sangue de animais, enfim, uma infinidade de elementos que os Babalaô utilizam para as mais distintas finalidades. 

Como toda a arte mágica, ao preparar o òsé dudu temos que ter cuidado ao misturar os ingredientes para que possamos alcançar os melhores resultados, devemos com atenção conhecer previamente a potência de cada elemento, para então sabermos que reunidas produzirão os efeitos desejados. Para esses resultados que esperamos, não é suficiente apenas misturar os elementos. Todo sabão preparado só atingirá seus objetivos for, após a sua finalização, imantado pela poderosa energia do Òrisá que você deseja, o Asé. 

A observância da luz solar e da energia lunar fazem a diferença. Ao prepararmos o òsé dudu, devemos seguir as indicações como dia, hora, etc, pois ao obedecermos ás indicações estaremos contribuindo e muito com o sucesso da realização da finalidade a que se destina.”



Sabão da Costa (òsé dudu), preparado artesanalmente e segundo a tradição Yorùbá, para os seguintes fins:


– Limpeza e descarrego;


– Quebra e descarrego forte de energias negativas (magias, invejas, espíritos do astral inferior…);


– Prosperidade, sorte, atração de boas energias e abertura de caminhos;


– Calma, equilíbrio, tranquilidade, paz, sono tranquilo;


CURIOSIDADES – SABÃO DA COSTA



Ao contrário dos sabões comerciais, que são feitos de produtos químicos sintéticos, o òsé dudu é muito hidratante para a pele. Isso acontece porque é feito de dendê virgem e Manteiga de Karité. A receita básica é secular, das antigas tradições, tendo sido transmitida ao longo de gerações.

É feito de forma artesanal, não sendo encontrado em farmácias, somente em lojas específicas de produtos africanos, normalmente na forma bruta. O Sabão preto é conhecido na África Ocidental por vários nomes, mas o mais comum é Òsé Dudu, que é derivado do Anago ou línguas iorubas da Nigéria, Benin e Togo. Significando, literalmente, sabão (òsé) Preto (Dudu). Embora conhecido como “negro”, o sabão preto Africano varia de um marrom claro ao preto profundo, dependendo dos ingredientes e modo de preparação.
As cascas, folhas e vagens do cacau também são utilizadas para dar a cor e característica.


O óleo usado para fazer o sabão varia de região para região, e inclui óleo de palma, óleo de palmiste, óleo de coco, manteiga de cacau e manteiga de karité. Qualquer combinação destes ingredientes é possível e é determinado como base. Além disso, o cloreto de potássio, que é usado para fazer sabão preto africano, pode ser derivado a partir das cinzas de várias fontes vegetais, incluindo frutos do cacau, cascas de karité, folhas de bananeira e os subprodutos da produção de manteiga de karité.


O cloreto de potássio utilizado provém das cinzas de folhas de bananeira, resíduos de manteiga de karité e da casca de uma árvore local chamada Agow. A casca é colhida de forma a não prejudicar a árvore. O processo de elaboração do sabão é altamente sofisticado e exige a agitação das mãos, por pelo menos um dia inteiro e um estágio de maturação (cura), por duas semanas.


O sabão pode ser processado por fusão, em fogo direto, com uma pequena quantidade de água. Durante esta fase de fusão, a textura do sabão se torna mais suave e há uma mudança de cor para um marrom chocolate. O sabão derretido é então prensado em blocos, que podem ser cortados em barras para facilidade de uso.


O sabão preto é comumente feito pelas mãos de mulheres das aldeias africanas, que fazem o sabão para si e para sustentar suas famílias. As mesmas mulheres que fazem sabão preto optam por usar apenas sabão preto em seus bebês, pois a pureza do sabão faz com que não resseque a pele. Na verdade, o sabão preto é geralmente o único sabão utilizado na maioria dos países do oeste Africano. É uma fonte natural de vitaminas A, vitamina E e também ferro, ajudando a fortalecer a pele e cabelo. Por séculos, os ganenses e nigerianos têm usado sabão preto para ajudar a aliviar a oleosidade da pele, a psoríase, a acne, as manchas claras e vários outros problemas de pele. As mulheres africanas usam-no durante a gravidez, para mantê-las sem estrias.

Embora o Sabão da Costa esteja presente no Brasil desde pouco depois de 1620 como se viu, e seja oriundo de uma mística e secreta fórmula, é um produto cujas origens se baseiam no conhecimento hermético de antigos africanos mas que se produz hoje, com avançada tecnologia.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Conselhos para os Candomblecistas


1- Converse com o Òrìsà na boca da quartinha, você se surpreenderá com os resultados.

2- Em casos de demanda, conversar na boca do pilão.

3- Ao realizar um àsé de quartinha na porta ou portão, faça-o com a pessoa de costas para rua, e não vire a mesma; passe pelo lado, esborrife as costas e empurre-a para dentro, e depois despache a quartinha.. Ao contrário, você poderá despachar a pessoa de sua Casa, ou agravar a situação da mesma.

4- Ao fazer qualquer trabalho, nunca deixe o cliente de costas para os Orixás, e nem deixe girar para fazer o serviço.

5- Nunca mostre sua Obrigação à estranhos, e principalmente à quem não for Feito.

6- Ao sacrificar um animal, nunca faça o vai e vem (serrote) com a faca(obé). Só faça em caso de dano.

7- Em caso de falecimento de uma pessoa e que tenha obrigação em sua casa, cubra com um pano preto em cima dos Óbarás, isto evitará que fuja e leve os demais Orixás consigo. E despacha-os com urgência para o local de origem. Estas providências têm que ser rápidas. Oriente sempre os demais familiares.

8- Sempre que for à uma encruzilhada, acenda em primeiro lugar uma vela branca, na perna da encruzilhada, ou no centro da encruzilhada, pedindo licença à Ogum Avagã, por ser o legítimo dono da encruzilhada.

9- Sempre tenha o hábito de solicitar agò (licença), em qualquer lugar que pisar ou passar, e que seja de propriedade dos Orixás. Devemos dizer: Agò mi leu (dá licença de chegar?) e depois dizer: Agò ba mi ló ( peço licença para sair).

10- Quando for fazer algum àsé coletivo, não passe em baixo dos pés, deixe para passar na ultima pessoa, caso contrário, você realiza transporte de cargas de uma pessoa à outra. Depois de passar nos pés, não devemos subir com àsé em outra pessoa.

11- Ao despachar um Òrìsà, nunca diga “anáreu” e sim “oná ri rè”. A frase completa: Oná ri rè cuja a significação é: vá em paz. Oná ri rè, Òrìsà, lá, assiò = que Deus lhe acompanhe.

12- O zelador ou zeladora, sempre deve por a sua mão no ejé da obrigação, para ter a sua mão na mesma, caso contrário, não têm a mão na obrigação; porque, ponta de faca não é mão. E como tem gente aí sem a mão de seu zelador/zeladora. Quero alertar à todos que realizarem uma obrigação à Òrìsà, caso o zelador/zeladora, não colocar sua mão com ejé em sua cabeça, você não tem a mão de seu pai de santo. Caso ocorra algo errado na obrigação, o filho terá o prejuízo, o zelador não, porque ponta de faca não é mão. entenderam!

13- Não se põe treze pessoas à mesa. É agouro.

14- Sempre realize defumações, antes de qualquer ritual, matança e festas.

15- Sempre evite chegar tarde ou no meio do ebó(festa).

16- Em ebó (festa), quando da saída do ekò, nunca vire de costas para o mesmo, porque você está dando as costas ao Óbará. O que não deve é olhar, para o que está saindo. Confirme isto ! Veja se seu zelador vira as costas? Não seja paspalhão!

17- Em ebó, nunca passe com copo de água ou vela acesa entre aos Orixás, e nunca deixe o chão molhado, o desastre é grande.

18- No início do ebó; quando tocar e cantar para Orixás de rua, mulher e criança não devem entrar na roda.

19- Em ebó de quatro pés ou patas, Orixás não devem chegar antes do Emissò Kássum (julgamento, roda humana de quatro pés ou patas; que deram o apelido de “balança”), há não ser que, o Orixá chegue e diga porque chegou, caso contrário, pode ficar preso no Ilé de Orixás até ser realizado o Emissò Kássum ou ser despachado. Com certeza, isso é um desrespeito ao Ilé e caracteriza um Òrìsà sem fundamento ou sem orientação de seu Feitor.

20- Realizar Emissò Kássum, só em Obrigação de quatro pés, caso contrário não. Vamos deixar claro, angoleiro não é quatro pés e nem tão pouco meio quatro pés; é na verdade, uma ave, com mais poderes de força nas Obrigações, do que as aves comuns, sim.

21- Nunca deixe, o seu Alabê ou Ogã-ilu parar por várias vezes o ebó, e de ter intervalos longos.

22- Nunca vá à várias festas (ebó) em um só dia, você passa a ser um akirijebó ( pessoa que frequenta a todas as festas, em só um dia, para comer, não obtendo fundamento), e demonstra um desrespeito a quem lhe convidou, e aos Orixás do Ilé.

23- O dia pertence aos Orixás, a noite aos Exús. Há 50 anos atrás, os ebós à Orixás, iniciavam às l7:00 horas. Hoje, 00.30 ou 01.00 da madrugada. Afinal a escravidão terminou há muitos anos, ou é por falta de conhecimento do horário de Orixás. Sempre evite realizar festas tarde da noite. Sempre devemos mandar parar o ebó no horário de 23.45 à 00.15 horas, evitando às 24.00 horas.

24- Na roda de ebó, homem sempre atrás de homem; mulher sempre atrás de mulher, isto é o que diz o Ritual. Nunca deves deixar o homem se infiltrar entre as mulheres, ou mulheres se infiltrarem no meio dos homens. Isto demonstra falta de conhecimento dos Rituais.

25- A roda, quando estiver cheia e não andar, coloque os homens por dentro da roda, para fazer uma nova roda, e deixe as mulheres na roda por fora. A roda sempre anda no sentido anti-horário. Na roda, marcar passo é dar para trás, não pode! Quanto mais girar a roda, mais leve se torna o ebó.

26- Na roda do Emissò Kássum, sempre deve andar no sentido anti-horário. E antes de inicia-lo, devemos realizar uma defumação no ambiente com ervas apropriadas.

27- Defumação: Sempre devemos defumar com ervas apropriadas, antes de qualquer Ritual.


Os hábitos errados:


1- Não se come despido ou sem camisa, é uma ofensa ao seu Òrìsà.

2- Quando se come em casa de Religião, ou em festas de Religião, lava-se o prato. Devolvê-lo sujo, complica e atrasa a sua vida.

3- Não se come as pontas dos animais de Obrigações; são esés( pertencem aos Orixás).

4- Dinheiro sobre a mesa de refeição provoca miséria.

5- Não se apanha alimentos que cai no chão. É das almas.

6- Recebe-se o prato sempre com a mão direita; e peça benção do prato cheio, e não após ter mexido.


Com relação à cozinha:


1- Não se mexem alimentos que estão cozinhando no sentido anti-horário, senão desanda ou encrua. Cubram a cabeça com Alá.

2- Não bata com a tampa da panela quando estiver cozinhando, e nem com a colher de pau, afugenta a proteção e atrai o negativo.

3- Quando a comida não quer amolecer, adicione três grãos de milho à ela.

4- Não se cozinha para Orixás, homens ou mulheres de corpo sujo. Corta o efeito das Obrigações.



Determinações aos Rituais:


1- Não se cortam aves ou animais de quatro pés, a não ser nas juntas. Caso contrário os Orixás recusam.

2- Obrigação mal feita ou mal arriada, paga-se em dobro. E a vítima é sempre quem recebe. Neste caso, o Feitor, usa a ponta de faca e não a sua mão.

3- Antes de se sacrificar qualquer animal, para Obrigações, manda-se limpa-lo com água e sabão e depois com mièró.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Pós Sagrados



Wáji




Tinta azul em forma de pó petrificado de origem vegetal o qual busca a representação do sangue negro, simbolizando a noite e a relação de ancestres ligados à própria escuridão. As partes frescas são contundidas a uma polpa, fermentada, seca e vendida nesta forma, as folhas somente são secadas ao sol e são usadas em um estado quebradiço. Representa o anoitecer. Este pó azul é utilizado em inúmeros rituais do candomblé, principalmente para assentamentos de orixá “Igba Orixá” e na feitura de santo sobre a cabeça do ìyáwó. Símbolo da idealização, transformação, direcionamento com o objetivo de proteger contra todos os males espirituais, materiais e psíquicos, principalmente da negatividade de Ìyámi. O wáji é um elemento muito importante no culto aos Orixás, uma vez que, junto com outros elementos, ajuda a proteger a cabeça dos nossos Ìyáwós contra as Ajés. Segunda a crença africana essas pinturas impediriam que eleyé (ave ligada as Ìyámi) pousasse no ori dos iniciados, pois caso isso ocorresse seria um desastre para vida dessa pessoa.
O wáji representa a cor dundun (preta), o sangue azul que vem das folhas. Existem diversas espécies que podem ser utilizadas para a produção de corantes azuis como a Isatis tinctoria ,Indigofera tinctoria, Philenoptera cyanescens e o Lonchucarpus cyanescens.


Segundo alguns relatos, as duas primeiras não seriam utilizadas para a produção do wáji tradicional, sendo apenas usadas para a confecção do anil (usado para tingir jeans, por exemplo). O verdadeiro wáji seria, portanto, retirado do processo de fermentação das folhas do Lonchucarpus sp. que é conhecido pelo nome de índigo africano ou índigo yorubá.
O processo de fabricação desse corante era complexo e exigia grande perícia, sendo cercado de prescrições e proibições rituais. Era tão importante que os tinteiros iorubas cultuavam até uma divindade específica para essa finalidade, Iyá Mapo. O pano tingido de índigo significava riqueza, abundância e fertilidade. Este pó está relacionado a força espiritual.



OSÙN





É um pó vermelho, extraído do Pterocarpus Erinaceus, árvore Baphia nitida Leguminosae Papilionoideae, normalmente o compramos em pequenas bolas. Utilizado no ritual de Iniciação para a maioria dos ÒRÌSÁ principalmente para as ÌYÁBAS. Porém é interdição para todos os ÒRÌSÁ FUNFUN. O Osùn é utilizado em vários rituais do candomblé, na construção de assentamentos de orixá igba orixá, nas pinturas sagradas da iniciação ketu, principalmente na construção do adosun (um cone que fica no centro da cabeça do iaô) com a função de transmitir o poder espiritual chamado de axé e livra-lo do infortúnio gerado por uma das Iyami-Ajé.


Este pó vermelho traz a vida ao iniciado, simbolizando a cor do ÈJÈ PUPA, ou seja, a vida que renascera para os ÌYÀWÓ.
Existem ebós e banhos onde se faz uso do Osùn, para a sorte, prosperidade, fertilidade, para afastar doenças, recuperação de vida e para o amor. O pó de Osùn é associado ao ÀSE do sangue vermelho dentro do reino vegetal. Este pó representa o crepúsculo.



ÌYÈROSÙN

O pó da Pterocarpus osun que tem a cor amarela é utilizado nos rituais sagrados de Ifá, Orumilá, Oduduwa, e todos os Orixás funfun, muito utilizado para formar os gráficos de odu no Opon Ifá e na preparação do merindilogun. É um pó esbranquiçado natural da arvore ÌRÒSÙN- Eucleptes Franciscana F, através da ação de cupins que produzem o pó ou serragem. Ele é espalhado sobre o OPON- IFÁ, onde o BÀBÁLÁWÓ faz a marcação dos ODÚ e posteriormente, após ritual próprio, esse ÌYÈROSÙN que foi encantando, poderá ter diversas utilidades. É empregado em beberagens, banhos, sabão para banho, em diversas formas para proteção e sorte, podendo ainda dependendo a situação ser espalhado sobre oferendas aos ÒRÌSÁ ou a ÒRÚMÌLÁ. Mas somente terá valor litúrgico se for preparado por um BÀBÁLÁWÓ.



EFUN





É um pó esbranquiçado feito do barro branco encontrado no fundo do rio, foi o primeiro condimento utilizado antes da introdução do sal. É um “giz” branco empregado na pintura Iniciática de todos os ÒRÌSÀ principalmente para os ÒRÌSÁ FUNFUN. Este pó pode ser utilizado também em banhos. EFUN na língua YORÙBÁ quer dizer cal, giz.

No culto a OBÀTÁLÁ- ÒÒSÁÁLÀ na África, o EFUN é representado por bolos redondos de giz que se chamam SÉSÉ- EFUN. EFUN também significa cal, e cal é ” lime ” em inglês, que também é limo, o chamado Limo da Costa para representar ÒÒSÁÁLÀ acaba sendo confundido devido ao uso errôneo da palavra.

O EFUN simboliza o dia, por isso, quando em pó, seja soprado ou friccionado seco sobre o ORÍ dos Omo ÒRÌSÁ Kon, é utilizado com o objetivo de ampliar, vitalizar, iluminar, clarear, despertar e intensificar. Já o EFUN molhado com água pura ou com o ÈJÈ do ÌGBÍN é utilizado para acalmar, tranquilizar, adormecer, suavizar, abrandar, aliviar, proteger. Por isso que a cabeça do ÌYÀWÓ em reclusão deve permanecer coberta de pó de EFUN no dia, e durante a noite coberta com WÀJÌ com pequenas marcas de EFUN.
Muito usado em ebó elaborados para os ÒRÌSÁ FUNFUN. Este pó é considerado sagrado, traz o equilíbrio, tranquilidade, paz e paciência.


Tipos dos EFUN.


- O EFUN mineral: é um pó retirado do barro, que são encontrados na natureza em várias cores, também chamada de tabatinga.

- O EFUN vegetal: é um pó retirado de frutos: OBÌ, ORÓGBÓ, ARIDAN, PICHURIN, NÓS-MOSCADA e folhas.

A mistura do EFUN mineral e o EFUN vegetal recebe o nome de ATIN e só deve ser preparada pela ÌYÁLÓÒRÌSÀ ou a ÌYÁ EFUN.

- O EFUN animal: é o pó retirado de ossos e cartilagem dos ossos dos animais utilizados em sacrifícios aos ÒRÌSÁ.
Este pó só pode ser feito pelo BÀBÁLÓRÌSÀ ou pelo BÀBÁ EFUN.
Estas cores destes pós representam:

– OSÙN o crepúsculo
– WÀJÌ o anoitecer
– EFUN o amanhecer

Estes pós são originários do Continente Africano, mas os encontramos facilmente aqui no Brasil, não existindo a substituição deles por outros que em nada se equivalem a eles na Veiculação e Transmissão do verdadeiro ÀSE exemplo:

– OSÙN não é o urucum (que também é um pó comum)

– WÀJÌ não é o anil (que é um pó químico)

– EFUN não um giz ( giz feito de pó comum)

domingo, 1 de abril de 2018

A Importância do Mokan


O Mokan será colocado na iniciação juntamente com os fios de contas devidamente lavados e deverá acompanhá-lo até o odu ijê. Após se dar esta obrigação (a de sete anos), deve o mesmo ser depositado no Igbá do Orixá, pois se trata de uma joia que, mesmo depois de seu tempo obrigatório de uso, deve ser guardada.


Para entender a aplicação espiritual do uso do Mokan , que é feito, da palha da costa, Ìkó. Palha da costa é a fibra de ráfia, extraída de uma palmeira chamada Igí-Ògòrò pelo povo africano. Seu uso é indispensável na iniciação de uma pessoa ao culto do Orixá , no sentido de proteger a vulnerabilidade dos neófitos.
É um grande fundamento da família dos Orixás.


A íntima ligação da palha da costa com a prevenção de contaminações por energias negativas. Neste sentido, podemos afirmar que o Ìkó é uma palha que nos protege dos Eguns. Daí se confeccionar o Ikán (contra-egum), a umbigueira e o xaorô de palha da costa.


Seria a aplicação espiritual do Mokãn também uma forma de prevenção? O Mokan é uma proteção do Ori e do Umbigo. Por isso ele vai invariavelmente do pescoço (do fim da cabeça) até o umbigo. Estes são os símbolos de nossa vida espiritual.


Ori é o receptáculo de nossa individualidade, e o umbigo o símbolo de nosso nascimento para a vida espiritual enquanto omo Orixá. O Mokan é um símbolo dos neófitos com os demais ikans e o seu delògún, trata-se de um conjunto símbolo representativo inseparáveis.


Mais que os delògúns (fios de conta), o Mokãn é o símbolo da etapa de formação do filho de Orixá. Usar o Mokan é externar este lindo momento em que todo o Axé, toda a tradição afro-brasileira, se faz em continuidade, configura-se o adôxu, aquele que é iniciado.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Diferenças entre "Odú e Odun




Odú = é signo de Ifá..Obedece a uma cronologia dentro do sistema de Ifá/Òrúnmílá.


1. OKANRAN-MEJI - a disciplina e teimosia. Regente: Exú


2. EJIOKO-MEJI – a incerteza e a indecisão. Regente: Ogum/Ibejis


3. ETAOGUNDÁ-MEJI – a perseverança e a obstinação. Regente: Obaluaiê


4. IOROSSUN-MEJI – a tranqüilidade Regente: Iemanjá


5. OXÊ-MEJI – a fama. Regente: Oxum


6. OBARÁ-MEJI – a riqueza e o brilho. Regente: Xangô/Oxóssi/Logun-Edé


7. ODI MEJI – o rancor e a violência. Regente: Obaluaiê/Omulu/Oxóssi


8. EJONILÊ-MEJI – a impaciência e a agitação.Regente: Oxaguiã


9. OSSÁ MEJI – a desconcentração.Regente: Iansã


10. OFUN-MEJI/OGIOFUN – os problemas de saúde.Regente: Oxalufã


11. OWARYN-MEJI – a ansiedade.Regente: Iansã/Exú/Ogum


12. EJILOSEBORÁ – a justiça e o discernimento.Regente: Xangô


13. EJIOLIGIBAN MEJI – a tranqüilidade e a concentração. Regente: Nanã


14. IKÁ MEJI – o conhecimento e a sabedoria. Regente: Oxumarê/Ossaim/Ewá


15. OGBEOGUNDÁ MEJI – o discerminio total. Regente: Obá/Ewá/Oxumarê


16. ALÁFIA-ONAN – a paz. Regente: Ifá (Orixás funfun)



Ódún = quer dizer Ano - Sendo assim, o etmo da palavra designa o tempo de um calendário, aniversários, e comemorações de eventos durante os ciclos específicos. Logo não existe "Odú Ijè" e sim Òdún Ejè - Literalmente sete anos- (Ejè corruptela de "meje" o numero sete) Ainda existem aqueles que para designar quatorze anos, adotaram o termo "Odú Iká" em uma alusão totalmente fora de contexto numérico, e associada a caída do Odu Iká,cuja aparência no Eríndílògun (Jogo de Búzios) corresponde a quatorze búzios abertos e dois fechados..As questões relacionadas aos Odu /Ifá nada tem relação com a contagem dos ciclos iniciáticos.


Sendo assim a saber dentro de uma cronologia,contadas a partir da iniciação:


Òdun Bí - Iawò, relacionado ao verbo nascer
Òdun Kán- Literalmente um ano
Òdún Êji - Dois anos
Òdun Etá ou Metá- Tres anos
Òdún Erin - quatro anos
Òdún Árun - cinco anos
Òdún Éfá - seis anos
Òdún Ejè -Sete anos
Òdún Ejó - oito anos
Òdún Ésan - nove anos
Òdún Éwá - dez anos
Òdún Ókanlá - onze anos
Òdún êjilá - doze anos
Òdún Étalá - treze anos
Òdún Èrínlá- Quatorze anos
Òdún Édogun - quinze anos
Òdún Érindi lógun - dezesseis anos
Òdún Étadilogun - dezesete anos
Òdún Egidilogun - dezoito anos
Òdún Ókandilogun - dezenove anos
Òdún Ôgun - vinte anos
Ódún Okánlélogún -Vinte e um anos
Ódún Ògbón- Designa antiguidade de uma pessoa dentro do culto.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Abíadan

   


A vida embalada por Dan    



São crianças que contam com grande proteção do Vodum Dan Bessem, já que nasceram com o cordão umbilical enrolado no pescoço. O cordão umbilical é uma representação da ligação da mãe com o filho. 

Uma pessoa Abíadan pode ser rodante, Ogam, Ekedí, podem receber cargos. Se rodantes podem abrir suas casas e iniciar pessoas normalmente. Enquadram-se perfeitamente nos casos especiais dentro de uma casa de Axé, porém não necessitam de fundamentações diferenciadas. 

Independente da nação deve agradar sempre a Dan Bessem, com balaios periódicos, devendo ter a mesma obrigação com Frekuen e Iyewá. Se uma pessoa Abíadan for iniciada em uma casa de Djeje, toda obrigação que for dada deve-se agradar a família de Dan. 

O ibá de Bessem, não pode faltar na composição de carrego dessa cabeça. O Abíadan em uma casa de Djeje tem uma função importante, ele deve ser o responsável por todo o processo de preparo e entrega do balaio de Azanadô. Sendo responsável ainda pela cultuação da árvore de Azanadô e toda vez que for posta alguma comida seca aos pés de Azanadô para Adangbé deve ser entregue por um Abíadan.    

Um Abíadan por ser raspado tranquilamente, a não ser que além de Abíadan a pessoa seja Abíkú ou Òrísà seja algum que não aceita a raspagem de seus filhos

A Personalidade da Criança conforme seu Orixá



A cultura yorubá, influencia em nossas características, e temperamentos pessoais.  Abaixo a personalidade de cada criança, segundo o arquétipo de cada Orixá.

ÒGÚN - OGUM: Por ser líder nata a criança de Ogum faz sempre sucesso quando chega a qualquer lugar. Conquistadora e solidária, essa criança é independente, e sabe bem o quer. Amiga verdadeira. Deve ter cautela com o seu destemor, franqueza em excesso e impulsividade.


ÒSÓÒSÍ – OXÓSSI: A criança de Oxóssi é alegre, espontânea e habilidosa. Muito curiosa, esta criança precisa de atenção dobrada, pois adora mexer em tudo. Determinada em atingir seus objetivos. Deve ter cautela pela ingenuidade e instabilidade quanto às opiniões.


LÓGUN ÈDE - LOGUM EDÉ: Muito sensível, a criança de Logum Edé, mostra cedo sua tendência para as artes. Bastante sociável, essa criança faz amizade com rapidez e encanta seus amiguinhos com seu bom humor. Deve ter cautela com a insegurança e dependência de opinião dos outros.


ÒSÁNYÌN – OSSAIM: A criança de Ossaim é muito observadora. Dotada de grande imaginação, ela é capaz de brincar e se divertir sozinha. Em grupo, interage bem sendo a mentora das brincadeiras de maior gosto do grupo. Reservada e tímida, deve ter cautela para não se isolar demais.


ÒSÙMÀRÈ – OXUMARÊ: Bastante sensível, a criança de Oxumarê sabe quando um amigo precisa de apoio. Dotada de criatividade, surpreende a todos com suas invenções. Escreve muito bem. Deve ter cautela com a falta de controle ao ser contrariada ou ao ser submetida às regras.


OMOLU, OBALUAIÊ: Esta criança é agradável, educada e boa de papo. É mais madura do que as outras crianças. Gosta de organizar seu pequeno mundo a uma certa rotina. Deve ter cautela pelo jeito autoritário e crítico ao lidar com opiniões divergentes da sua.


NÀNÁ - NANÃ: Sossegada e calma, a criança de Nanã não gosta de brincadeiras violentas. Organizada e metódica, não gosta que mexam nas suas coisas sem permissão. Paciente, gosta de ensinar aos menores. Deve ter cautela pela dependência sentimental dos pais e pelo lado inflexível.


YEMOJÁ - IEMANJÁ: Encantadora e extrovertida, a criança de Yemanjá esbanja simpatia. Arteira, adora brincar até não aguentar. Gosta de estar rodeada por muitos amiguinhos. Muito inteligente e esperta. Deve ter cautela com o ciúme em excesso e o nervosismo que acabam gerando briguinhas bobas. Sua indecisão a deixa vulnerável.


ÒSUN - OXUM: A criança de Oxum encanta a todos com seu jeito gracioso, meigo, doce e muito charmoso. Muito comilona, adora experimentar incrementar seus lanches. A cautela com esta criança está em não melindrá-la, pois quando ela sente-se magoada torna-se arredia e de pouca conversa.


YÁNSÀN - YANSÃ: A criança de Yansã é sempre alegre, conquistando a todos rapidamente. Ela é alto-astral, divertida e criativa. Intuitiva, consegue descobrir os segredos mais bem guardados. A cautela com esta criança está em não desafiá-la, pois quando isso acontece, ela se transforma em uma criança agitada e combativa.


SÀNGÓ - XANGÔ: A criança de Xangô é tão popular e irradia tanta energia, que todo mundo quer se aproximar dela. Não gostam de cumprir algumas tarefas, aliás prefere inspecioná-las. Ela gosta de ser o centro das atenções, por isso a cautela com ela está em mostrar-lhe que todos são importantes como pessoas.


IYEWA - EWÁ: Muito sensível e delicada a criança de Ewá tem uma grande necessidade de aprovação para suas atitudes. Tranquila, sempre busca a harmonia entre os amigos. Boa confidente. Gosta de ajudar e proteger outras crianças, porém deve-se ter cautela com a instabilidade emocional.


OBÀ - OBÁ: A criança de Obá é atenta e competitiva. É amiga e gosta de compartilhar seus brinquedos com outras crianças. Expansiva, esta criança tem um grande senso de solidariedade. Deve se ter cautela com brincadeiras barulhentas para não despertar a ansiedade e a agitação.


IBÉJÌ – IBEJ: Ibéji protege as crianças, e em particular os gêmeos. As crianças sob sua proteção são alegres e falantes, é a criança mais popular da turma. Por isso, consegue fazer com que todos gostem de sua companhia. Por ser muito emotiva, a criança protegida por Ibéjì tende a desequilibrar o sistema nervoso.


ÒSÀGIYÁN - OXAGUIAN: A criança de Oxaguian é divertida e cheia de ideias inovadoras, porém por ser muito ativa quer fazer várias coisas ao mesmo tempo de forma apressada. Tendência a poucos amigos. É importante ajudá-la a focar-se em objetivos que lhe tragam benefícios.


ÒSÀLÚFÓN - OXALUFAN: A criança de Oxalufan é calma e inteligente passando a impressão de ser madura e decidida. Com personalidade muito forte, este pequenino já demonstra seu senso critico com seus amiguinhos. A cautela está em controlar a sua teimosia excessiva.

Báwo wá dára jé omodé (Como é bom ser criança!)

Salve a força transformadora das crianças!

Axé!

sábado, 24 de fevereiro de 2018

A falange dos Caveiras e o arquétipo de seus médiuns.


Exu Caveira – Trabalha no desenlace carnal em cemitérios, curando e auxiliando na transição.


Tata Caveira – Trabalha com a parte da cura física e mental em hospícios, asilos, e idosos.


Sete Caveiras – Atua no comando das linhas de Caveira, pouco incorpora.


Maria Caveira – Muito ligada a Exu Caveira trabalha com ele na cura e nos cemitérios.


Rosa Caveira – Ligada a João Caveira trabalha junto com ele em hospitais e na cura.


Exu Caveira da Porteira – Atua na proteção dos terreiros e seus médiuns, é um grande amigo e guardião, além de proteger quando outro caveira atua em locais extremamente pesados.


Quebra-ossos – Exu que cura, desfaz doenças e feitiços muito rapidamente.


Tata Mulambo – Atua junto com Tata Caveira.


Tata Veludo – Um exu que raramente incorpora é muito velho e atua tanto como caveira como Veludo, quase não anda e quando incorpora deixa os médiuns meio que sem firmeza nas pernas.


Pessoas regidas por membros da Linha dos Caveiras são pessoas que não levam desaforo pra casa, falam o que pensam, são intrépidos, não temem ninguém, gostam dos assuntos místicos, não são magricelas, mas mantém o peso nos padrões normais, nunca ficando obesos.


Possuem um defeito que é comum a todo médium dos Caveiras, nunca possuem uma boa dentição, sempre ficam desdentados, usando próteses simples ou completas, curioso isso, mas é o mais comum quando se trata de seus médiuns.


São muito divertidos, trabalhadores, mas adoram dormir, e se fosse possível, trabalhariam somente à noite, pois é o momento em que estão mais ativos. Muitos se tornam militares, seguranças, policiais, ou com profissões relacionadas às armas, bem como alguns em seu lado negativo podem enveredar para o mundo do crime.


Os médiuns dos Caveiras são avessos aos vícios, dificilmente se vê um médium dos Caveiras envolvido com drogas ou entorpecentes, por conta da energia militar que carregam se tornam muito perfeccionistas e íntegros;



Médiuns dos Caveiras são bons chefes de família, bons pais e bons esposos, comilões sem nunca engordar, brincalhões, sentimentais, são o tipo de pessoa que gosta de ajudar os outros, são capazes de tirar a própria roupa no meio da neve e doar ao necessitado. Geralmente nunca se tornam ricos, mas tem o suficiente para viver e se sustentar, gostam de automóveis mas geralmente seus carros ou motos são meio engraçados como eles, aquele tipo de carro que sempre dá problema, seja novo ou usado.


Ser médium de um Caveira de verdade é muito bom, e é sempre bom ter alguém no terreiro que seja do Caveira. É uma grande honra e com certeza sempre poderemos contar com ele para tudo que precisarmos. Para estar diante de um Caveira ou ser médium do mesmo, tem que ser sempre humilde, pois estamos lidando com o símbolo universal da real natureza humana, em que todos nós bem “lá no fundo” de nosso corpo físico SOMOS CAVEIRAS. Seu assentamento deve ser sempre nos fundos do quintal, em casa dedicada apenas aos Exús do Cemitério, onde o Caveira é o Líder maior.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O que e um pacto com Lúcifer?

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O pacto com Lúcifer, é uma aliança entre um individuo, e o Grande Deus Lúcifer.
Lúcifer quando veio para esta terra ele sempre ajudou a Humanidade, ele sempre esteve conosco, e sempre estará. Muitas pessoas o renegam pelo fato de uma mentira Milenar. O pacto é um sigilo total entre você, seu sacerdote, o demônio que levará seu pacto a Lúcifer, e o próprio Lúcifer. Muitos pactos não obtém o resultado pelo fato de as pessoas irem atrás de falsos sacerdotes. O pacto só irá funcionar se você fizer o ritual com um sacerdote, que realmente faz parte do Mundo Luciferiano. Muitos procuram sacerdotes falsos, e por isso não conseguem o tão sonhado desejo de viver a vida da forma que sempre quis.


Se você sofre e não sabe para onde correr, este é o caminho. Muitos dizem que se você está sofrendo, é por que o Deus cristão assim deseja, mas se esse Deus deseja seu sofrimento, Lúcifer, não deseja, ele irá livrá-lo do sofrimento, da dor, da humilhação. Ele tornará você muito melhor, dará a você em suas mãos tudo o que você deseja. Ele pode, pois ele é o Dono De Tudo, Acredite No Pacto. Se você tem este desejo Não pense duas vezes, pois esta é a sua vez de mudar de vida.


Lúcifer: Do latim Luci-feros (o portador da luz). O mais belo dos anjos do céu, que se rebelou contra Deus. No Cristianismo, Lúcifer está associado ao conceito de demônio. Para certas escolas esotéricas, como a teosofia, a figura de Lúcifer está revestida de complexo e importante conteúdo simbólico: é ele que, desobedecendo às ordens de Deus, confere aos homens o conhecimento, retirando-os assim do estado mítico de inocência em que viviam (simbologia do Paraíso). Na tradição judaica, foi Lúcifer quem abriu os olhos do autômato criado por Jeová, conferindo-lhe assim a imortalidade espiritual. O simbolismo de Lúcifer pode ser assimilado ao do herói grego Prometeu, que invadiu o céu para roubar o fogo aos deuses e trazê-lo aos homens. É considerado o emblema do "anjo caído".


Perguntas frequentes de quem faz o pacto:



1) Morrerei depois de fazer meu pacto em 10 anos ?
Não, O pacto jamais irá diminuir seu tempo de vida na terra, pois não é para isso que ele está sendo feito.


2) No pacto estarei vendendo minha alma ?
Não, Sua Alma não pertence a você, sua Alma é do Universo e jamais você dará a Lúcifer algo que não é seu. Lúcifer deseja sua Adoração e devoção, e que você coloque ele em primeiro lugar em todos os planos de sua vida. É isto que você dará a ele.


3) Para onde irei Quando Morrer ?
Não irão a nenhum Inferno, O Inferno de fogo é uma criação, e má interpretação de passagens Bíblicas. Para entender melhor sobre isso, peço que as pessoas que acreditam neste suposto inferno, veja a Origem da Palavra "Inferno", somente assim irão compreender que isto é apenas uma má interpretação feito por fanáticos religiosos com a intenção de intimidar aqueles que não querem seguir ao Deus deles. Sua Alma é do Universo. Após sua morte uma serie de eventos irão acontecer, até que você volte a reencarnar. Portanto não desista de seus sonhos por algo que o fanatismo religioso anda falando.


4) No pacto conseguirei todos os meus desejos?
Sim! Tudo o que pedir a Lúcifer ele irá atende-lo Imediatamente, pois o Pacto é para que você siga em frente com a ajuda dele. Muitos que entregam dinheiros a igrejas pedem para o deus deles bens materiais, Mas estes Não sabem que estão pedindo ao deus errado. Lúcifer é o Deus da Materialização, é ele que tem todos os bens materiais nas Mãos dele. Lúcifer sempre esteve com tudo em mãos, pois enquanto estava no Deserto com o Nazareno, ofereceu a este bens materiais a ele em troca da Adoração. Naquele dia, Lúcifer estava demostrando que os Reinos deste Mundo, e todos os bens que neste mundo estão, são Dele, tudo possui sua marca, e ele dá para aqueles que o serve. Lúcifer é amoroso, e assim como ele faz o mal acontecer, ele também faz o Bem. Se você deseja fama, riqueza, bens materiais e tudo o que desejares vá até Lúcifer, pois este sim, irá ajuda-lo.


5) O que não devo fazer após concluir meu Pacto?
Existem algumas restrições que você jamais deverá fazer.
1º) Jamais negue Lúcifer, ele não perdoa aqueles que o negam; Isso não significa que você deve sair falando que é filho de Lúcifer, mas faça o possível para não tocar no assunto para que ele não rejeite você após uma negação vinda da sua parte.
2º) Não fale sobre o Pacto a ninguém. Caso você venha a falar para muitos sobre sua Pactuação, o Pacto será Banido.
3º) Não aceite ir em Igrejas. Dirigir-se a uma igreja que odeiam a Lúcifer é um desrespeito fatal, por isso não aceite panfletos nas ruas destas pessoas, pois são elas que vivem a difamar nossa religião e vivem a tentar denegrir nossa imagem. Jamais aceitem pedidos vindo da partes destes.
4º) Sempre agradeça a Lúcifer e aos Exús pelo bem alcançado. Jamais esqueça de que é Lúcifer que está ajudando você através dos Exús. Portanto sempre agradeça a eles, pois é dando que se recebe.



6) Em quanto tempo irei alcançar tudo o que pedi a Lúcifer ?
Lúcifer, é um Deus que sabe que há hora certa para tudo, e claro que não vai demorar anos e anos para terem tudo. Mas seja paciente, Lúcifer jamais perdoará você, se tentar confrontar ele. Você não vai fazer o pacto hoje e amanhã acordar milionário, não é assim que funciona. Para tudo a um processo, e tenha certeza que você conseguirá, basta você querer.

Carta de Oxumarê para seu filho (a)


Filha (o), eu sou seu pai.
Dono do mistério, magia, dono do arco íris, sou metade serpente, metade humano, eu sou Oxumarê.
Observo seus passos na terra a cada instante.
Ilumino teus caminhos, para inimigo não te derrubar.
Sabe aquela frase: depois da chuva, sempre vem o arco íris.
Então... Confie. Quando você estiver passando por problemas, situações, angústias, lembre-se que depois da chuva vem o arco íris, sendo assim, depois do sufoco vem a glória, a vitória, o aprendizado.
Cobra mata abraçando, mas você é minha filha (o), e aqui a cobra é você, não seu inimigo. Não deixarei passar por cima de você, pois se elas (eles) são cobras, eu sou mais ainda.
Acredite no seu pai, eu estarei sempre te valendo, e quando ver um arco íris, lembre-se, é seu pai vindo te valer.
Arroboboi!

Maria Padilha das Sete Rosas Vermelhas


América é um pequeno povoado cravado no alto da serra grande, a famosa serra dos cocos. Como todo lugarejo serrano se destaca pela sua paisagem bucólica. Um clima de fresco para frio, o céu é um típico azul anil, salpicado de alvas nuvens e um verde em todos os tons reveste feito uma esplendida pintura a natureza serrana espalhando esperança por toda serrania.

Conhecida pela Lenda de Santa Feliciana, e por sua tradicional feira, onde o forte é a compra, troca e venda de animais, foi também, palco de uma linda história de amor.
Foi num sábado ensolarado que o lugarejo amanhecera tomado por um bando de ciganos que se dirigiam até aquele local com o intuito de fazer boas trocas e grandes negócios. Num minuto o bando montou sua tenda. Aquela espécie de circo colorido chamava a atenção de todos os habitantes da América. Depois da barraca montada e devidamente instalada, buscaram o rumo da feira.

Em pouco tempo a cidade ganhava nova paisagem. Ciganas com suas roupas multicores, davam um novo colorido aquela região, tingindo o ambiente com cores fortes e vivas. Com muita desenvoltura abordavam os serranos fazendo profecias na leitura de mãos. Belos ciganos montados em seus cavalos encantavam as mocinhas sonhadoras que se animavam com tanta movimentação. Enquanto as ciganas circulavam lendo mãos, os velhos e espertos ciganos munidos de farta experiência faziam suas trocas na feira. O cigano Ribamar, um belo moreno de olhos verdes montado em seu enfeitado jumento parava na barraquinha de Rosa.
— Bota uma Serrana aí!
Rosa estava de costas, quando se voltou, já trazia a dose de cachaça na mão. Seu ouvido apurado lhe confirmava que aquela voz cantada era de um estranho. Quando os dois entreolharam-se, uma forte magia os contagiou, estavam embevecidos um com o outro. A magia por um momento os tirara do ar.

De um só gole o cigano tomou a pinga, e Rosa que rubra ficara com aquele olhar penetrante, voltava a normalidade. Ali nascia um típico caso de paixão a primeira vista. Rosa que era desimpedida iniciava com Ribamar, a contra gosto de sua família, uma linda história de amor. A fama dos ciganos, aquela vida nômade, e os comentários no pequeno lugar, tudo isso foi motivo para que os pais de Rosa a trancassem a sete chaves proibindo o belo romance.

Nem Rosa nem o cigano Ribamar se conformavam com aquela proibição, e assim sendo deram um jeito de trocar recados e bilhetes. Mas tudo isso por pouco tempo, pois no sábado seguinte os ciganos levantariam acampamento. Ribamar não poderia deixar o bando, mas não queria deixar o seu amor e foi nesse emaranhado de pensamentos que ele resolveu que roubaria a Rosa da América. Comprou, um lindo vestido vermelho, pulseiras e tiaras com medalhas dependuradas e uma rosa também vermelha para que sua amada , fantasiada de cigana fosse confundida com as outras ciganas do bando. Rosa lamentava deixar seus pais, mas não suportaria viver sem o seu grande e único amor. 

Concordou com a proposta de Ribamar, e enquanto seus pais trabalhavam na barraca, ela vestida de cigana subia da garupa do Giron , jumento montado por Ribamar, e mais tarde foram acompanhados pelo bando que comovido com a paixão dos jovens deu-lhes total apoio.

A América inteira sofreu com a fuga de sua Rosa. Os pais saudosos choravam por sua filha, e Rosa também não esquecera os seus entes queridos. Depois de um ano, num sábado de sol, dia de feira, ao longe se via um bando de ciganos, a exemplo de outros tempos invadindo o lugarejo. Na frente dois jumentos: um montado por Ribamar com uma criança no colo. No outro Rosa, vestida de vermelho, com uma rosa nos cabelos, e na mão uma bandeira branca pedindo paz.

Rosa era chamada pelos ciganos, Rosa vermelha, todos no bando gostavam dela. Dessa união nascera uma linda menina a qual deram o nome de Verbena. Rosa foi recebida com festa por todos, e perdoada por seus pais. O bando resolveu libertar Ribamar das leis ciganas para que ele enfim, pudesse ter uma vida mais sossegada e feliz ao lado da esposa que tanto se sacrificara por ele.

Contam que, desse tempo para cá, as mocinhas da América quando querem conquistar suas paixões, colocam uma rosa vermelha nos cabelos, vestem um vestido tão vermelho quanto a rosa aparecendo assim, na frente do seu pretendente que ao encontrá-la nunca mais largará do seu pé. Dizem até que, já criaram um grupo folclórico que leva o nome de: “Rosa Vermelha da América.”
Hoje é conhecida como Maria Padilha das 7 Rosas Vermelhas.
Grande conhecedora das magias ciganas.

A Quaresma e o Candomblé


A Quaresma é oriunda da religião Católica, que estendeu-se pelas demais religiões com exceção das Igrejas evangélicas. Sendo que para igreja Católica, a Quaresma representa o renascimento e a volta de Jesus, já para o Candomblé a Quaresma tem um significado completamente diferente, onde o povo Ioruba criou Orôs para respeitar a quaresma, já que a religião foi cultuada principalmente por negros escravos que eram obrigados a serem Católicos.

Antigamente, quando chegava a Quaresma, o povo Iorubá paravam suas funções e faziam a festa chamada Olorogún, pois para o Candomblé o período da Quaresma é o período que em que os Orixás entram em guerra contra o mal para trazer o pão de cada dia para seus filhos. No dia da festividade chamada Olorogún, eram vestidos todos os Orixás do Axé e cada um dos Orixás vinham com um pequena trouxa, contendo a comida preferida de cada um deles. Todos dançavam os seus toques prediletos e no final saiam todos em fila dançando o Adarrum.

Depois dessa festa os Orixás só voltavam no sábado de Aleluia. Depois do Olorogún os atabaques da casas eram recolhidos, onde tomavam ebós, eram lavados com ervas, e tomavam Obori. Essa foi uma forma encontrado para fortalecer os Atabaques que são utilizados em todas as funções litúrgicas. No sábado de Aleluia, era feita uma grande festa em louvor aos Orixás,onde Ogum por ser o pai das guerras, traziam em suas mãos um grande cesto de pão para distribuir no salão. Representando o vencimento da guerra pela paz. A semana santa representa para o Candomblé a criação do mundo.

Por este motivo os candomblecistas devem vestir o branco nessa semana, e principalmente na sexta-feira santa, já que representa o dia que os Orixás desceram do Òrún para conhecerem a grande criação de Olodum, executada por Oduduwa. Por isso os Candomblecistas devem respeitar a semana santa, não pelo que ela representa para a Igreja Católica, mas sim pelo ela representa para todos nós do Candomblé. Usem branco, se não podem usar a semana toda coloque na sexta-feira, ofereçam canjicas, pão, acaçás á Oxalá pedindo paz para o nosso Brasil. Protejam-se, usem o Contra-Egún, pois essa semana os Eguns ficam soltos, pois Iansã está em guerra e não pode prende-los.

Com o término da quaresma todos os espíritas tem por hábito se limpar (fazer ebó) para retirar todas as negatividades existentes, e descarrego para se resguardar das maldades existentes em nosso mundo.


Dentro das casas de Candomblé, hoje em dia existem variações com relação a esse ritual: os antigos zeladores para serem aceitos pela comunidade local, a exemplo do que faziam negros e negras como Chica da Silva, que viveu em no Arraial do Tijuco hoje Diamantina MG, entravam para as irmandades da igreja católica, como Sagrado Coração de Jesus, e seguiam seus rituais e preceitos. Assim sendo, introduziram dentro do Candomblé o ato de se resguardar a quaresma, ou seja, a casa fica fechada durante os quarenta dias desse rito.

Comumente vemos casas de Angola e mesmo algumas de Jejê ou Kêtu que mantêm suas festividades suspensas, pois acreditam que: “o santo está dormindo”, ou seja, afastado da terra e que somente exú responde e governa para eles durante essa passagem. No sábado de aleluia tocam o adarrum, toque sagrado para invocar os orixás de volta a nosso planeta.

Porém hoje em dia com a atual situação das religiões afro-brasileiras, esse tipo de ritual vem sido abolido em grande maioria das casas de candomblé, pois, conforme dizem seus zeladores: “trata-se de um ritual cristão e não do axé orixá”, assim sendo não veem motivo para que se mantenha na atualidade. Um outro fator que com certeza contribuiu e muito para a introdução desse preceito no candomblé, foi o fato de que os negros eram proibidos por seus “donos” a praticarem a religião de seus antepassados e assim sendo, primaram pelo sincretismo.


Mesmo em meados do século XX, ainda era comum a policia perseguir os templos de Umbanda e Candomblé, ocasião em que prendiam todos que se encontravam naquele local, então, os sacerdotes e sacerdotisas continuaram a manter o culto da quaresma como forma de mostrar uma “submissão” ao cristianismo, afastando assim a ideia de culto demoníaco, que erroneamente se tinha de nossa religião. Mas, com o avanço das leis, muitas casas hoje em dia, aboliram esse ritual, e assim sendo, podemos até mesmo ver saídas de yawô durante os quarenta dias que se seguem após a folia. Se esse ou aquele está errado, não me compete dizer, apenas posso afirmar que, se cultuando ou não a quaresma, o que realmente importa é que sigamos fielmente as leis de nossos Orixás, não nos importando as pedras que encontraremos em nosso caminho. Não nos importa o ritmo de cada casa e de seu sacerdote, o que importa realmente, é que sejamos fiéis à casa que nosso orixá escolheu, pois ele com certeza sabe o que é melhor para seus filhos.


A Quaresma e a Umbanda


 A Quaresma é uma doutrina exclusiva do catolicismo e que não influencia a Umbanda de modo algum. Defende-se também que, do ponto de vista espiritual, não há diferença em relação a qualquer outra época do ano, no quesito padrão vibratório. Terreiros com esse pensamento, funcionam normalmente nesse período; porém, por conta de várias pessoas pensarem que, nessa época, podem estar sujeitas a tragédias, acredita-se que surge uma força espiritual criada a partir da soma de energias coletivas, da qual precisam se defender, isto é, acredita-se que o padrão vibratório diminui, não por conta da Quaresma, mas pelo estado emocional das pessoas, obrigando o terreiro a acatar medidas de segurança, tais como o uso de contra-eguns, banhos específicos, preceitos elaborados etc. Terreiros com esse pensamento, também funcionam normalmente nesse período.


Este posicionamento baseia-se na ideia de que a Quaresma é um período no qual os espíritos obsessores estão mais suscetíveis a receber favores em troca de práticas negativas. Acredita-se que nesse momento muitos rituais são realizados, aproveitando-se da presença desses zombeteiros. Muitos terreiros cobrem as imagens do congá (altar), não realizam trabalhos nesse período e os que realizam, boa parte, só trabalham com a linha da esquerda.


Apesar dos esforços de muitos estudiosos da Umbanda e Candomblé de sistematizarem as nossas práticas ritualísticas por meio de livros e cursos doutrinários, não podemos negar que nossa religião é fundamentada na tradição oral, sendo assim, é natural que haja mesmo divergências. Se você acredita que precisa jejuar na Quaresma, tomar banhos de defesa, trabalhar apenas com a esquerda, usar um contra-egum em cada braço… cabe a você decidir, ou ainda, ao seu terreiro definir e você, acatar as orientações do seu dirigente. Eu, particularmente, uso meu contra-egum e tomo meus banhos de defesa sempre que possível. Na dúvida, melhor não arriscar, não é mesmo?

Curiosidade:  Você sabia? 
O Carnaval é uma festa que sempre antecede quatro dias a Quaresma. A razão dessa festa acontecer nesse período é o fato de que, para conseguirem cumprir os preceitos da Quaresma, usam e abusam dos prazeres da carne alguns dias antes para não sentirem falta durante o período de reflexão quaresmal. Especula-se que o nome Carnaval significa “festa da Carne”, em virtude dos jejuns que se sucederão dias depois.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Kizilas dos Orixás


Kizila, é vocábulo de origem kimbundo, utilizada nos Candomblés de Angola (grupo banto). Tal expressão é então sinônima de èwò, esta proveniente do yorubá, razão pela qual é mais dita nos Candomblés de Ketu (grupo nagô). Apesar da diferença de origem, e da prevalência das Casas de Ketu em relação às de Angola no Brasil, a palavra kizila sobrepujou-se a èwò rompendo as barreiras culturais e litúrgicas e hoje, é frequentemente usada em todos os Candomblés, não importando sua origem ou Nação.


As kizilas, ou tabus, são interdições de ordem alimentar, de vestuário e comportamentais impingidas pelos Orixás aos seus respectivos médiuns, devendo ser cumpridas pelos devotos que incorporam e pelos que não incorporam. A inobservância das kizilas, quebra a força que o Orixá depositou na pessoa e ainda enfraquece a relação entre o Homem e sua Divindade. Segundo a cultura nagô, èlédá ìnú (guardião do estômago), seria um controlador do que se ingere e das conseqüências ocasionadas.




As kizilas são importantes referências do Candomblé, sendo crucial seu conhecimento a fim de que não se incorra em graves falhas ao culto, as quais invariavelmente repercutem no resultado desejado em ebós, sacrifícios, orôs e preceitos em geral. O ato de transgredir as interdições é entendido como afronta ao Orixá, ensejando o transgressor a punições diretamente por parte da divindade (que poderá fazê-lo no campo da saúde, amor, financeiro, etc.), ou poderá ser estabelecida por intermédio do zelador através do Oráculo. Tais punições consistem em multas de reparação que podem significar oferendas, comidas secas, animais para sacrifício, etc.


Kizila dos Orixás ou Èèwò são atos e certos alimentos que contrariam o axé de alguns orixás e devem ser respeitados para manter a harmonia espiritual.
Tudo que provoca uma reação contrária ao “axé”, chamamos de quizila ou èèwò, que são energias contrárias a energia positiva do orixá.
Estas energias negativas podem estar em alimentos, cores, situações, animais e até mesmo na própria natureza.



Kizilas clássicas de quase todas as nações.


  • Não comer caranguejos.
  • Não comer siri.
  • Não comer peixe de pele que pertencem a Eguns, comer somente peixe de escamas .
  • Exu não gosta de água e mel em excesso.
  • Ogum detesta quiabo.
  • Oxóssi não aceita mel de abelha.
  • Iansã não permite abóbora dentro de casa.
  • Oxalá não pode com dendê ou vinho da palma.



Como funciona a Kizila dos Orixás?


A Kizila é uma forma de reação negativa ao axé que atinge as pessoas física, mental e espiritualmente, gerando diversos transtornos na vida pessoal.

A Kizila dos Orixás age como se uma espécie de “alergia” intoxicasse os filhos de santo, trazendo assim mal estar e transtornos na vida da pessoa.

A Kizila do orixá vem quando comemos ou fazemos algo que não devemos.

Cada um dos orixás tem suas próprias quizilas e seus filhos devem respeitá-las, sob pena de trazerem sérias consequências a vida.

As kizilas dos orixás são ensinadas ao longo da caminhada da iniciação que os devotos fazem na Umbanda.

As kizilas dos orixás mais comuns são certas comidas, temperos, folhas para banhos ou alimentação, bebidas, cores de roupas, etc.



Confira as principais kizilas dos Orixás.


  • Evitar abacaxi (quizila de Omolu).
  • Não comer carne nas segundas e sexta-feira.
  • Usar roupa branca nas segundas e sextas-feiras.
  • Não passar embaixo de escadas.
  • Não comer abóbora.
  • Não usar roupas totalmente pretas ou totalmente vermelhas.
  • Evitar cemitérios.
  • Não comer as pontas: cabeças, pés e asas de aves.
  • Não jurar pelo santo, nem pedir pelo mal das outras pessoas.
  • Não passar atrás de corda de animal.
  • Não deixar passar com fogo nas nossas costas.
  • Não pagar nem receber dinheiro em jejum.
  • Não comer muçum ou arraia (kizila de Oxum).
  • Não comer cajá.
  • Não comer carambola (pertence à Egum).
  • Não comer fruta-do-conde ou sapoti.
  • Evitar comer carne de porco (kizila de Omulu).
  • Evitar manga-espada (kizila de Ogum).
  • Evitar manga-rosa (kizila de Iansã).
  • Evitar tangerina (kizila de Oxóssi).
  • Não comer caça (kizila de Oxóssi).
  • Evitar fubá de milho (kizila de Oxóssi).
  • Filho de Oxóssi não come milho vermelho, nem milho verde.
  • Evitar carne de pato (kizila de Iemanjá).
  • Evitar carne de ganso (kizila de Oxumarê).
  • Não comer carne de pombo ou galinha D’angola.
  • Não ter em casa penas de pavão (tiram a sorte).
  • Não varrer casa à noite.
  • Evitar coco (kizila de Oxóssi).
  • Evitar melancia (kizila de Oxum).
  • Não pregar botão em roupa no corpo.
  • Não comer a comida queimada do fundo das panelas.
  • Evitar aipim ou mandioca (pertencente à Egum).
  • Não comer bertália.
  • Não comer taioba (quizila de Nanã).
  • Não comer pepino.
  • Não comer das folhas do jambo.
  • Não comer jaca.
  • Evitar ovos (kizila de Oxum)
  • Nunca se fala cuscuzeiro nem cuscuz, para não revoltar Obaluaiê e Omulu fala-se agerê e bolo branco.




As kizilas são explicadas, ou ao menos mencionadas nos itans dos Orixás, quando são historiadas as suas trajetórias, seus encantos, aventuras e percalços. As kizilas têm origem nas preferências dos Orixás, ou em suas características essenciais, em seus desagrados, ou até mesmo em suas próprias referências de respeito e consideração. Por exemplo: para Oxalá, Orixá funfun da criação, regente da ética e da honra, aquele que tem no branco, a única cor de seu uso, o resumo de sua própria essência, é tabu (kizila) que seus sacerdotes, durante os atos litúrgicos, vistam qualquer cor que não seja aquela de sua preferência.


Vale mencionar como exemplo novamente Oxalá. O velho Orixá fora encarregado por Olorum para criar o mundo e seus habitantes. Porém, incitado por Exu, embebedou-se de vinho de palma, adormecendo antes da hora, vindo a perder parte de sua oportunidade. Em razão disto, Oxalá tem nas bebidas alcoólicas uma de suas principais kizilas. Nem seu culto, nem seus oloxás devem fazer uso de bebidas alcoólicas.




Xangô, irmão de Dadá, filho de Yamassê e de Oraniã, é tão ligado a sua mãe, que por respeito e consideração, segue os mesmos interditos de sua genitora.


Ainda Xangô: quando o Obá quis dominou o povo male, cuja religião era muçulmana, foi generoso ao ponto de adotar como interdito o consumo da carne de porco, vedada aos adeptos do Islã.


A noção dos alimentos “frios” e “quentes”, tais como manga, carne de porco e abacaxi, que fazem o sangue ficar “quente”, é importante como referência às características dos Orixás e a compreensão de seus interditos.





Há ainda as kizilas que são comuns a todos os adeptos do Candomblé. Ou seja, a todos os que são “de santo”: peixe de pele (por ser kizila de Iemanjá, dona dos mares, berço da pesca e fonte de alimentação); abóbora (por representar o primeiro ventre que pariu o primeiro ser, logo, ao comer a abóbora, se estaria comendo o útero da mãe ancestral); siri/caranguejo (que dilaceraram a carne de Omolu, quando este ainda bebê, fora abandonado por sua mãe Nanã à beira do rio, sendo ali resgatado por Iemanjá, que adotou Omolu e lançou a interdição a todos os Orixás); jaca, por ser fruto da árvore pertencente as Iyámi Oxorongá, as feiticeiras da floresta; não comer os miúdos do frango nem as asas, pés ou cabeça (pois são as partes das quais são preparados os axés nos sacrifícios votivos).




Devemos observar as kizilas que são herdadas em função da familiaridade de Santo, são as chamadas kizilas de axé. As kizilas do zelador (a) de santo, devem ser respeitadas por seus filhos-de-santo, assim como aquelas dos irmãos-de-barco.





Os ìyàwó, além das kizilas de seu seus respectivos Orixás, devem atender a inúmeras interdições de conduta ao longo de seu resguardo, tais como não tomar banho de mar, não ingerir bebidas alcoólicas, não ir a cemitério, nem acompanhar cortejo fúnebre, etc.





Por que não devemos comer caranguejo?



Como o caranguejo ficou sem a cabeça? Quando o mundo foi criado, nenhum animal possuía cabeça.


Entretanto, Olofin havia prometido que um dia, todos seriam aquinhoados com cabeças, mas, como se tratasse de um número muito grande de pretendentes, não havia previsão de data para a entrega. A verdade é que todos andavam muito ansiosos pelo momento de poderem desfilar exibindo belas cabeças, dotadas, segundo se dizia, de olhos, boca, orelhas e tudo o mais que compõe uma boa e verdadeira cabeça.

Naquela época o caranguejo era um bom adivinho e vivia desta atividade. Todos os bichos da região eram seus clientes e ele orgulhava-se de jamais haver falhado numa previsão.

Caranguejo cultuava Esù, de quem era muito íntimo e com quem dividia, de bom grado, tudo o que recebia na sua função de adivinho. Desta forma, mantinha-se sempre, muito bem informado de tudo o que acontecia, tanto no Ayê, quanto no Orun.

Sabemos, com certeza, que era Exú quem sustentava o dom de adivinhar do caranguejo.

Um belo dia, logo pela manhã, Exú foi à casa do amigo para lhe dar, em primeira mão, a grande e tão esperada notícia: no dia seguinte Olodumare, que já não aguentava mais tanta reclamação, distribuiria cabeças entre os animais. 

Havia, no entanto, um pequeno problema: o número de cabeças existentes não era suficiente para atender a demanda toda e, por este motivo, aqueles que chegassem por último ao Orun, continuariam acéfalos.

“Não contes a ninguém o que te estou revelando. Trata de chegar primeiro e assim poderás escolher a melhor cabeça que estiver disponível. Depois podes espalhar a notícia entre todos”.

Disse Exú ao caranguejo.

Ora, como já sabemos, o caranguejo zelava muito bem por sua fama de adivinho e assim, não se sabe se por força de ofício ou por simples vaidade, logo que Exú foi embora, saiu batendo de porta em porta, espalhando a boa nova e sendo por isto, muito bem recompensado pelos vizinhos.

Atrapalhado com tantos presentes, caminhava cada vez mais lentamente, mas não parou até que o último dos bichos tivesse sido avisado.

Os animais, logo que sabiam da novidade, abandonavam o que quer que estejam fazendo e corriam para o Orun, em cuja porta já se havia formado uma imensa fila.

A confusão era tão grande que filas foram formadas para que a ordem de chegada fosse respeitada, já que alguns retardatários, usando de força, tentavam furar a fila.

Somente depois de voltar à sua casa, onde guardou os presentes que havia recebido em troca da informação, é que o caranguejo, após tomar um bom banho, dispôs-se a ir buscar sua própria cabeça.

Contudo, quando finalmente chegou ao Orun, era tarde demais, não existia mais uma cabeça sequer e, desta forma, por não saber guardar segredo, nosso herói ficou privado de adquirir uma cabeça.

Zangado e decepcionado com a atitude do amigo, Exú negou-se, para sempre, a ajudá-lo no ofício de adivinho e desmoralizado e triste, o caranguejo internou-se no pântano onde vive até hoje enterrado na lama e… Sem cabeça, é claro!

Diante deste Itan, acredito que o maior motivo de todos nós não podermos comer caranguejo, é exatamente porque o caranguejo cometeu um interdito com Exú, traindo sua confiança.



As pessoas que são iniciadas no candomblé não comem caranguejo, principalmente QUEM É INICIADO de Omolu.

Em épocas antigas quando os Orixás habitavam nosso planeta, Nanã quando teve Omolu e viu que seu filho era todo coberto e também aberto em chagas e feridas mórbidas e horríveis, aliás uma das kizilas de Nanã é ver e não gostar de ver Ninguém sofrer. Ela por não querer cria-lo acabou que abandonando ele na praia nas marés altas.

TODOS OS PEIXES DO MAR vieram adorar Omolu, mas o caranguejo sempre faminto foi logo dando a sua mordida e arrancando com suas poderosas garras a Carne do rei Omolu e tirando pedaços enormes, os peixes todos viram e foram logo Chamar IEMANJÁ IYÁSESÙ, que chegou correndo e pegou Omolu, tirou um ebó de seu corpo com a areia da praia, por isto estoura-se a pipoca à Omolu na areia de praia, passou azeite de dendê com a palha da bananeira e lhe deu o acaça, elemento que dá a vida, Iemanjá Iyásesù levou Omolu para seu reino.


SÓ QUE ANTES SENTENCIOU:
DE HOJE EM DIANTE, TU SERÁS AMALDIÇOADO POR QUEM FOR ADOSÚ (INICIADO NO CULTO AOS ORIXÁS) E PRINCIPALMENTE A QUEM FOR MEU FILHO OU MINHA FILHA, NINGUÉM MAIS COMERÁ DE SUA CARNE E VOCÊ NUNCA MAIS ANDARÁ PRA FRENTE SÓ ANDARÁ DE LADO.

E QUEM COMER DE SUA CARNE TAMBÉM SÓ ANDARÁ DE LADO NA VIDA, JAMAIS PARA FRENTE .

O AMOR DE MÃE DE IEMANJÁ FALOU MAIS ALTO E O CARANGUEJO FOI BANIDO DA MESA DOS ORIXÁS PARA SEMPRE, SENDO PROIBIDO PARA QUALQUER FILHO DE QUALQUER ORIXÁ.

Principalmente por filhos de IEMANJÁ, NANÃ E OMOLU, causando danos a vida material e espiritual, então cuidado.